sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

NÃO QUERO


Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim... Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre... E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento... e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe... Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim". Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena!!!

Mário Quintana

LIBRA (23/9 - 22/10)


1 Frase: 'A justiça tarda mas não falha, pois está sempre COMIGO!'.

2. O que o libriano espera de seu parceiro:
Busca apreciação mútua e igualdade de compromissos e obrigações entre as partes. Seu objetivo maior é a cooperação, ter alguém para partilhar e para admirar. Detesta pessoas rudes, agressivas ou deselegantes a seu lado.

3. O que o libriano diz depois do sexo: 'Eu gostei se você também gostou.'

4. Como irritar um libriano:
Diga bastante: 'Isso é com você, decida logo!'. Leve-os a locais feios. Aja de forma grosseira em público, tire melecas, arrote, fale palavrões, vire cerveja na mesa, chame o garçom pelo nome.

5. Como o libriano reza antes de dormir:
'Querido Deus, eu sei que eu deveria tomar minhas decisões sozinho, mas, por outro lado, o que VOCÊ acha?'

6. Por que o libriano atravessou a rua?
Ele nem precisou atravessar. Alguém acabou oferecendo carona para ele.

7. Você foi assaltado e o libriano....
'Ah, gente, não foi nada, só um assaltozinho à toa... eu mesmo já passei por cinco...’

8. Adesivo para o vidro do carro do libriano:
'Não tenho tudo que amo, mas vou ficar conhecendo no sábado à noite.'

9. Quantos librianos são necessários para trocar uma lâmpada?
Bom, na realidade eu não sei. Acho que depende de quando a lâmpada foi queimada. Talvez só um, se for uma lâmpada comum, mas talvez dois se a pessoa não souber onde encontrar a lâmpada, o
u
...

LEÃO (23/7 - 22/8)


1. Frase: 'Antigamente eu ERA vaidoso, mas agora me curei e sou PERFEITO!'

2. O que o leonino espera de seu parceiro:
Busca alguém com quem compartilhar suas idéias criativas, que goste de crianças e queira ter filhos. Geralmente deseja mais uma platéia para aplaudí-lo ou um companheiro de brincadeiras, do que um amor verdadeiro.

3. O que o leonino diz depois do sexo: 'Não foi incrivelmente fantástico?'

4. Como irritar um leonino:
Ignore-os. Esqueça o nome deles e pergunte 'Qual é mesmo o seu nome?'. Em público, não os apresente às pessoas importantes.

5. Como o leonino reza antes de dormir:
'Oi, Papi! Eu posso apostar como você está realmente orgulhoso em ter a mim como seu filho!'

6. Por que o leonino atravessou a rua?
Para chamar a atenção, sair nos jornais, revistas, etc.

7. Você foi assaltado e o leonino....
'Vou pegar esse fdp!'... e sai correndo atrás do ladrão.

8. Adesivo para o vidro do carro do leonino:
'Tudo que tenho me ama.'

9. Quantos leoninos são necessários para trocar uma lâmpada?
Um leonino não troca lâmpadas, a não ser que ele segure a lâmpada e o mundo gire em torno dele
.

AMAR BONITO


Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar:

Aprendam a fazer bonito seu amor.

Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.

Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.

Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender...

Tenho visto muito amor por aí.
Amores mesmo: bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva.

Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam,descuidam, reclamam, deixam de compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem, enchem-se de razões.
Sim, de razões.
Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão.
Nem queira!!!
Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor,
pois é invocado com justiça, mas na hora errada.
Amar bonito é saber a hora de ter razão.
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro a maior beleza possível?
Talvez não.
Cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de amar bonito.
Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.
E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.
Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.
Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.
Saia cantando e olhe alegre.
Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações, adiar sempre se possível com beijos 'aquela conversa importante que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama, toda atenção é sempre pouca.
Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível.
Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos);
não teorize sobre o amor, ame.
Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.
Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como:
a sinceridade, abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente;
não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito).
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs.
Falando besteiras, mas criando sempre.
Gaguejando flores.
Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.
Revivendo os caminhos que intuiu em criança.
Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade.
Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo que você é.
Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Não se preocupe mais com ele e suas definições.
Cuide agora da forma do amor:
Cuide da voz.
Cuide da fala.
Cuide do cuidado.
Cuide de você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Artur da Távola

MUTAÇÕES


(Célia Lamounier de Araújo)

1- Sou como a água
que passa, leva, e deixa...
Sou como o beija-flor
sem tempo, sem parada...
Sou como você me vê
um amor de amor sem amor

à espera de você

que me bebe
que me beija
que me pára
que me ama
que me muda
e me embeleza.

2- Sou como rosa de muitas pétalas
para você arrancar
uma a uma.
Cada perfume e cor
se entranhando em você.

E a cada encontro
menos uma
por seu silêncio abortada
cai ao chão
e renasce

nova rosa amorosa mais sua
fecundada em versos modificada
pelos traços seus.

Escorre o poeta e a rosa
no tempo que une
e ao final

SAUDADES DAS HISTÓRIAS DE AMOR


Ele descobriu que a amava quando tinha 15 anos, em 1984. Ela estudava na mesma turma, e quando entrava na sala de aula, ele cantarolava intimamente “pela luz dos olhos teus”, porque havia algo de encantador nos seus olhos, no que eles diziam, uma ternura que cativava aquele coração tão moço. Ele lembra, vinte anos depois, do dia em que ela fez circular um caderninho para os amigos deixarem mensagens, e atravessando a fronteira da timidez, escreveu “você é meu único e definitivo poema”. Depois disso, eles desencontraram.

Ele entrou na faculdade e, como me disse há poucos dias, se distraiu das coisas do amor. Conheceu outras mulheres, se encantou com algumas, mas nenhuma tinha aqueles olhos. Se reencontraram anos depois, quando ela terminou a faculdade. A última cena deste novo contato foi ela se beijando com um sujeito, no baile de formatura. Como queria estar naquele lugar!

Os dois casaram e não se viram mais. Aqui e ali, nos encontros com os amigos da turma, uma notícia esporádica. Somente em 2001 voltaram a se ver, num encontro dos velhos amigos, para cativar lembranças. Na primeira vez que o viu, depois de tantos anos, ela comentou com uma amiga– “o menino virou homem”. A resposta da amiga acendeu alguma chama que ela nunca percebera – “o teu apaixonado chegou”. Surpresa em saber daquele amor silencioso, ela ficou em silêncio, achando-o mais belo.

“Aquela frase da amiga foi um sopro divino”, me disse ele, repassando os detalhes da história, enquanto tomávamos uma cerveja.

Mas a vida seguia outros cursos. Tinham compromissos, casamento, filhos. Em 2002, voltaram a se encontrar. Pare ele, já não era tão fácil olhá-la nos olhos. E a turma, sem perceber que alimentava um sentimento que parecia perdido, colaborou para que voltassem a se ver. Um novo encontro, em 2003, serviu para que ele confirmasse que aquele menino estava vivo, dentro de sua alma, querendo amar plenamente.

Em 2004, por uma desculpa qualquer que sempre encontramos, quando queremos algo de verdade, almoçaram juntos. Ao final da longa e cativante conversa, ela perguntou:

“Você sentia alguma coisa por mim naquela época?”

“Eu era muito apaixonado por tu”, respondeu ele.

Algo rompera na timidez dele. Ela agora sabia de algo secreto, que ele trazia há muitos anos. Voltaram a falar de literatura, cinema, dos caminhos profissionais, mas algo já tinha sido dito, e era irreversível. Pronunciaram, timidamente, o nome do amor.

Quando se encontraram novamente, nada mais poderia ser feito. Os dois se queriam tanto, que quando ele a abraçou, sentiu que estava protegido, acolhido, que aquele era o melhor lugar do mundo para estar.

Os mundos que viviam exigiam outras respostas. Sim, os compromissos, outros laços haviam sido firmados em duas décadas. Ela foi mais incisiva. “A partir de hoje, morreu”, disse, na despedida. “Essa história acaba por aqui”, repetia, muito séria.

“Como vou te tirar de dentro de mim?”, perguntou ele.

Nas longas semanas de silêncio, ele também fazia o esforço. Ao final do dia, se perguntava – “será que pensei nela hoje?”. Sim, era a resposta. Sua dúvida era saber se, em algum momento do dia, ela tinha pensado nele, para que os pensamentos se encontrassem, em algum ponto da cidade.

No último encontro dos amigos, ele bebeu para chegar ao bar com o coração entorpecido, para que a alma não o traísse. Escolheu um ponto da mesa em que não pudesse vê-la. Decidiu que não a olharia, em hipótese alguma, durante toda a noite. O cumprimento formal, gelado, era a tentativa dos dois de administrar algo que era quente, muito quente, por dentro. Ela confessaria, dias depois, que quando o viu, suas pernas tremeram. Agradeceu a Deus por estar sentada. Na despedida, ele a olhou de longe e acenou. Viu aqueles mesmos olhos e desejou cantar “pela luz dos olhos teus”.

Naquela fração de segundos, o sentimento desvendou os dois. Nada mais poderia ser feito. No dia seguinte, se falaram. Era preciso fazer algo. “Não consigo te tirar de dentro de mim”, confessou ele.

Sim, eles fizeram as escolhas e tomaram decisões. Não podiam abrir mão do sagrado, da calma que sentiam estando juntos, da plenitude que encontravam em cada palavra. Num dos encontros, ele falou ao seu ouvido o poema “Teresa”, de Manuel Bandeira. “Os céus se misturaram com a terra/E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas”, diz o final do poema, que parecia ser o que viviam. Céus e terras se misturavam.

Vinte anos depois, eles decidiram assumir o amor.

E quando estava a terminar esta crônica, me chegou um email de um amigo, com o pequeno trecho de um poema do Drummond:

“Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?


SAMARONE LIMA

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

EU TENHO SAUDADES


De tudo que marcou a minha vida...
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...

SINTO SAUDADES
de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

SINTO SAUDADES
da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...

SINTO SAUDADES do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...

SINTO SAUDADES do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

SINTO SAUDADES de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

SINTO SAUDADES dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, de certo gostaria de experimentar;

SINTO SAUDADES de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...

SINTO SAUDADES do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava totalmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo SAUDADES em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileiro, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e clarear sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples "I Miss You", ou seja lá como possamos traduzir SAUDADE em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais SAUDADES...Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...

SENTIR SAUDADES, é sinal de que se está vivo e a vida, mesmo com tantas saudades, depois dos amigos, é o bem maior que possuímos !

(Maktub)

(Presente da Aurea)

OLHOS VENDADOS


'Mesmo de olhos vendados... encontrar-te-ia.' Ele sorriu. 'Como?'. Ela murmurou palavras quentes de certeza e de marés, a boca dela tocando a dele: 'Pelos sulcos que os cisnes desenhavam no lago do jardim onde desde sempre te aguardei. E na esperança sempre verde, sempre líquida, da tua chegada, tranformei o meu peito num altar votivo da Força... que permitiu que no meio dos momentos mais áridos da minha alma, e das turbações mais frenéticas do meu corpo, eu abraçasse cada alvorada como uma promessa de ver-te chegar e entrar em mim. Eu encontrar-te-ia.' Ele olhou-a, em silêncio. 'Fala comigo', disse ela, num murmúrio quente que se ouviria do outro lado da lua... se os pássaros de rumos ousados por lá passassem. 'Não posso, não quero! Hoje apenas tenho dentro de mim o silêncio de te cobrir toda de beijos...'
Ela encontrá-lo-ia. Mesmo de olhos vendados. Mesmo com tempos trocados, com espaços desfasados. Ela sabia-o. E ele também.

Ni
http://momentusmomentus.blogspot.com/

CRIANDO VERSOS


26/12/2007 22:07

CRIANDO VERSOS
===============


Poesia
também é enfeitar a vida com sorrisos, apesar dos pesares,
é ferir as mãos ao semear carinhos,
é criar estrofes de esperança
que possam ser recitadas nos momentos difíceis,
é acender a chama que clareia a noite escura,
é jogar a voz além da voz do vento,
é enfrentar a fúria das tempestades,
é juntar os cacos e encontrar a beleza dos caledoscópios...,
é remendar ternuras e tecer a colcha de retalhos,
é chorar com as lágrimas da chuva e
acreditar nas lágrimas do orvalho,
é repetir o o eco de outros corações,
é ver no impossível rastros do invisível,
é voar,
é amar,
é doar a metade de si e
tomar parte,
enquanto a outra metade se reparte
em pequeninas contas de emoções ... .

:: Mellíss

(Presente de Aurea Manchini)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

IRRETOCÁVEL


Tenho cabelos vermelhos, pintados, para esconder os fios brancos. Não me lembro exatamente em que ano eles começaram a branquear...

Tenho algumas rugas em volta dos olhos, também não me recordo quando elas começaram a aparecer. Tento disfarçá-las, tantas novidades no campo da dermatologia, achei por bem aproveitá-las.

Do corpo não cuido quase, só recentemente entrei para uma academia, por ordem médica. Ele me disse que na minha idade preciso de exercícios. Mais falto do que vou, não gosto de fazer ginástica.

Das minhas unhas cuido semanalmente, penso que elas são uma porta de visita. Unhas maltratadas causam uma péssima impressão.

De uns dois anos pra cá descobri os cremes e aí compro um aqui, outro ali e no final não uso nenhum, mas compro, e só de olhá-los na prateleira já percebo que as rugas se retraem.

Sou assim, vaidosa, mas não sou em excesso, penso que sou na medida certa, na medida correta para uma mulher.

Enfim, os anos passam, e as marcas que eles deixam em nós, não temos como conter. Nem pretendo isso. Acho que cada marca que meu corpo carrega tem uma linda história. Às vezes, me pego na frente do espelho descobrindo uma nova ruguinha e já me coloco a pensar o que a causou. Depois reencontro com outra, que já está lá, vincada há anos, e me recordo que ela apareceu quando perdi um grande amor.

Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco. Foram filhos, maridos, amigos que colocaram eles ali.

Não quero me desfazer de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las, acho que mereço isso. A vida me deve isso.

Atualmente a parte que merece mais atenção minha tem sido a cabeça. Tento todos os dias colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias. Corpo e mente caminham juntos, se um estiver em estado lastimável o outro provavelmente vai se deteriorar.

Não escondo minha idade, não adiantaria falar que tenho trinta e cinco e apresentar uma filha de vinte e sete. Portanto, eu confesso: tenho cinqüenta e um anos. Metade deles, bem vividos, a outra metade muito sofrida. Mas é exatamente aí que está o encanto da minha idade.

Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos sorrisos e ambos me fizeram ser essa pessoa que sou hoje.

Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos.

Minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de expressão que eu adquiri por tanto sorrir. Muitas vezes, quando o coração chorava.

® Silvana Duboc

MEIA IDADE


Você sabe que está chegando à meia-idade
quando tudo dói
e o que não dói não funciona.

A gente chega à
meia-idade quando fazer amor
nos transforma num animal selvagem: uma
preguiça.

Meia-idade é quando sua idade
começa a aparecer na
cintura!.

Na meia-idade você ainda sente vontade
mas não lembra
exatamente do quê.

Meia-idade é quando você sente vontade de se
exercitar e deita pra esperar passar.

Meia-idade é quando seu médico
lhe recomenda
exercício ao ar-livre e você pega o carro
e sai guiando
com a janela aberta.

Na meia-idade, jantares a luz de velas não são mais
românticos
porque não se consegue ler o cardápio.

Meia-idade é
quando um cara começa a apagar as luzes
por economia e não para criar
um
clima com você.

Meia-idade é quando em vez de pentear os cabelos você
começa a "arrumar" os que sobram.

Infância: época da vida em que
fazemos
caretas para o espelho.

Meia-idade: a época da vida em que
o espelho se vinga.

Há três períodos na vida:
infância,
juventude e
"você está com uma aparência esplêndida".
(essa é ótima)

Está na meia-idade?
Ânimo! O pior ainda está por vir!

Você
sabe que está na meia-idade quando
tudo aquilo que a Mãe Natureza te deu
o Pai Tempo começa levar embora.

Meia-idade é quando paramos de
criticar a geração mais velha
e começamos a criticar a mais nova.

Meia-idade é quando sabemos todas as respostas
e ninguém nos
pergunta nada.

Meia-idade é quando se alguém dá em cima de você
no
cinema é porque está atrás da pipoca.

Meia-idade: primeiro começa a
esquecer os nomes,
depois os rostos, depois de fechar o zíper.

Meia-idade, enfim,
é quando já não temos mais idade para dar
maus exemplos e passamos a dar bons conselhos...

"Não há cura para o
nascer e o morrer,
a não ser saborear o intervalo".

(AD)

(Presente de Rosangela - BH)

SINTO SAUDADES


De tudo que marcou a minha vida...
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...

SINTO SAUDADES
de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

SINTO SAUDADES
da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...

SINTO SAUDADES do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...

SINTO SAUDADES do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

SINTO SAUDADES de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

SINTO SAUDADES dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, de certo gostaria de experimentar;

SINTO SAUDADES de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...

SINTO SAUDADES do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava totalmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo SAUDADES em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileiro, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e clarear sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples "I Miss You", ou seja lá como possamos traduzir SAUDADE em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais SAUDADES...Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...

SENTIR SAUDADES, é sinal de que se está vivo e a vida, mesmo com tantas saudades, depois dos amigos, é o bem maior que possuímos !

(Maktub)

(Presente da Aurea)

GOSTO DE GENTE


"Gosto de gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno, idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade.

Gosto de gente que ri, chora, se emociona com um simples e-mail, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago.

Gente que ama e curte saudade, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens, poeira e chuva.

Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si, emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser!

Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.

Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.

Gente de coração desarmado, em ódio e preconceitos baratos. Com muito AMOR dentro de si.

Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentoras suas lágrimas e sofrimentos.

Gosto muito de gente assim como VOCÊ e desconfio que é deste tipo de gente que DEUS também gosta!"

© Arthur da Távola

AVE MARIA


Fafá de Belem
Composição: Jayme Redondo / Vicente Paiva

Ave Maria
Nos seus andores
Rogai por nós
Os pecadores
Abençoai ! nestas terras morenas
Seus rios, seus campos e as noites serenas
Abençoai ! as cascatas
E as borboletas que enfeitam as matas
Ave Maria
Cremos em vós
Virgem Maria rogai por nós
Ouvi as preces, murmúrios e luz
Que aos céus acendem e o vento conduz
conduz a vós
Virgem Maria
Rogai por nós.

HOMENS MADUROS


© Texto de Lisiê Silva.

Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor. Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacaremos aqui uma classe de Homens que são companhias agradabilíssimas: Os que hoje são quarentões, cinquentões e sessentões.

Percebe-se com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, a devoção que eles tem pelo que há de mais belo: O sentimentalismo.
Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes. Sabem o que falam, e sabem falar na hora certa. São cativantes, sabem se fazer presentes, sem incomodar. Sabem conquistar uma boa amizade.

Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade, visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho. São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar, e de viver.
Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais e mais emocionantes.
Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, compreensivos e mais educados.

A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas deve-se a vários fatores: A opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...
Mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações de sua juventude.

Um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.
Viveram sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos do nosso tempo: Os anos 60/70. Considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo foi vivido e cantado em verso e prosa.
A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes, que hoje permanecem na memória e que mudaram a vida de muitos.

Uma época em que o melhor da festa era dançar coladinho, e namorar ao ritmo suave das baladas românticas. O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegrias.
Ouviam Beatles, Johnny Mathis, Roberto Carlos, Antônio Marcos, The Fevers, Golden Boys, Bossa Nova, Morris Albert, Jovem guarda e muitos outros que embalaram suas "Jovens tardes de domingo, quantas alegrias! Velhos tempos, belos dias."
Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar: Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho. Olhos nos olhos tinham mais valor... A moda era amar ou sofrer de amor.

Muitos viveram de amor... Outros morreram de amor... Estes Homens maduros de hoje, nunca foram Homens de "ficar". Ou eles estavam namorando firme, ou estavam na "fossa", ou estavam sozinhos. Se eles "ficassem", ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.
Junto com Benito de Paula, eles cantaram a "Mulher Brasileira, em primeiro lugar!" A paixão pelo nosso país, era evidente quando cantavam: " As praias do Brasil, ensolaradas, no céu do meu Brasil, mais esplendor... A mão de Deus, abençoou, Mulher que nasce aqui, tem muito mais Amor... Eu te amo, meu Brasil, Eu te amo... Ninguém segura a juventude do Brasil... sil... sil... sil..."
A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver.Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência que foram acumulando com o passar dos anos.

O tempo se encarregou de distingui-los dos demais: Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada, porém mais sonora. Hoje eles são Homens que marcaram uma época.
Muitos deles hoje "dominam" com habilidade e destreza essas máquinas virtuais, comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras de amor. Nem diminuiu-lhes a grande capacidade de amar, sentir e expressar os seus sentimentos. Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.
Por que o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias, e sim os raros valores de suas personalidades.O importante é perceber que os seus corações permanecem jovens...

São homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder admirá-los.

© Lisiê Silva
(28/01/03)
(Direitos autorais reservados à autora)

NOVO AMOR


Procuro um amor novo amor com quem possa ter ressonâncias... num encontro pleno de respeito, cumplicidade e parceria. Alguém com quem seja possível dividir alegrias, delicadezas e alguns sonhos... não muitos, mas o suficiente para continuar a criar a magia do amar... e ser amado.
Busco assim por você que tenha leveza de alma e espírito, com total disponibilidade afetiva, que goste de viver a vida e que queira verdadeiramente um grande amor repleto de aventuras.
Nâo precisa ser um amor zero quilômetro, mas tem que ser dos bons. Daqueles de ter vontade de acordar mais cedo para levar café na cama, de ligar no meio do dia para dizer que sentiu saudade, de fazer bobagens, escrever bilhetinhos, fugir na madrugada em busca do desconhecido... um amor que não precisa durar para sempre mas que "seja infinitamente bom enquanto dure."
Procuro um amor que seja fiel e honesto, que saiba contar piadas e sussurrar no meu ouvido palavras gostosas para antes e depois do amor.
Procuro um amor que saiba viver sozinho, que invada meu mundo devagarinho e me convença que vale a pena ficar.
Procuro um amor quentinho... daqueles que não grudam na pele no verão mas que aquecem que nem edredom quando chega o inverno. Amor de dormir agarrado, de dançar colado e beijar na frente de todo mundo.
Procuro por fim um novo amor, uma companheira que seja minha amiga e minha amante, que goste de pipocas em tardes de chuva, e que queira andar de mãos dadas comigo pela vida.

© Rodrigo Scherter

ESTRADA DO SERTÃO


Composição: João Pernambuco e Hermínio Bello de Carvalho

Coisa que não arrenego
Nem tão pouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenchavido
Encruado e recolhido
De ninguém se aperceber

Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada
Faz um ninho pra você
Juriti espreita triste
A jandaia não resiste
Chora junto por você

Nos teus óios faz clarão
É um verde, um azulão
Tiê sangue furta cor
Que me dá desassossego
Que me suga que nem morcego,
Mangando que é beija-flor

Não me encrespe a vida assim
Já me basta o que de mim essa vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender.

Canta firme juriti
Vê se entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem junto do meu coração
Pousa aqui meu colibri
Vê se tu tem pena d´eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vóis meçê

Quanto mais me desfeiteia,
Me despreza, mais me arrasto pra você.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


EVATA – Leitura e Produção de Textos
Profa. Rozimar Gomes

Este texto de Clarice Lispector tem um sentido quando lido de cima para baixo e exatamente o contrário quando lido de baixo para cima. "Impressionante! Acredito que muitas vezes é assim que funcionam nossas cabeças, eu digo uma coisa e você entende outra..."


"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A DOR QUE DÓI MAIS




Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Marta Medeiros

"FELICIDADE REALISTA"


Martha Medeiros

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo."
Martha Medeiros

JEITO DE SER


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja
cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que
abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a
hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando
não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam
longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz
ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem
prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece,
é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete
e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte
antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,
a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação,
mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe
de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que
acha que com amigo não tem que ter estas frescuras.
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que
não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.
Marta Medeiros

METADE


Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que tristeza...
Que a mulher que eu amo
seja pra sempre amada
mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece,
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão
que me corroe por dentro
seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso,
que me lembro ter dado
na infância
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade
eu não sei...

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais...
Porque metade de mim
é abrigo,
mas a outra metade
é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia,
e a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também...

(Oswaldo Montenegro)

(Presente de MariAlice)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O DESCINHECIDO TATUADO


Ele era assustador. Sentado na grama com seu cartaz de papelão, seu cão (realmente seu cão era adorável) e tatuagens por ambos os braços e pescoço. Seu cartaz anunciava que estava cansado e com fome e pedia ajuda.

Eu me sinto compelida a ajudar qualquer um que necessite. Meu marido, ao mesmo tempo, adora e odeia esta minha "qualidade". Isto, freqüentemente, o faz nervoso, e eu sabia que se me visse naquele momento, ele ficaria nervoso. Mas ele não estava comigo.

Eu arranquei vagarosamente a camionete e através do retrovisor, contemplei aquele homem, com tatuagem e tudo. Talvez quarenta anos... Usava uma daquelas bandanas amarrada sobre a cabeça, estilo pirata. Qualquer um poderia ver que ele estava sujo e tinha a barba bagunçada. Mas se você olhasse bem de perto, veria que suas coisas estavam bem organizadas em um pequeno pacote. Ninguém parava para ele. Eu via que os outros motoristas davam uma rápida olhada e já prestavam atenção em outra coisa - qualquer outra coisa.

Estava muito quente. Eu podia ver nos olhos do homem como deprimido e cansado se sentia. O suor escorrendo pelo rosto, enquanto eu estava com o ar condicionado ligado.

Eu peguei minha bolsa e tirei uma nota de dez dólares. Nick, meu filho mais velho, com doze anos, sabia exatamente o que eu estava querendo fazer.
- Posso levar para ele, mãe?
- Sim, mas tenha cuidado. Eu o adverti e lhe entreguei o dinheiro. Eu prestei atenção, pelo espelho, enquanto meu filho se aproximou do homem, e com um sorriso tímido, lhe entregou o dinheiro.
Eu vi o homem, assustado, levantar-se, pegar o dinheiro e guardar no bolso de trás.
- Bem, - Pensei comigo mesma - pelo menos agora ele poderá comer alguma coisa.

Me senti satisfeita e orgulhosa de mim mesma. Eu tinha feito uma boa ação e agora eu poderia continuar meu dia.

Quando Nick voltou ao carro, olhou-me com tristeza, os olhos suplicantes,
- Mãe, o cachorrinho está com muito calor.

Eu sabia que tinha que fazer mais.
E pedi à Nick,
- Volte e diga-lhe para ficar por ali, estaremos de volta em 15 minutos.

Nick saiu do carro e correu até o desconhecido tatuado.
Eu pude notar como o homem estava surpreso. Mas concordou. Corremos até o supermercado mais próximo. Compramos alguma comida; um saco de ração e uma vasilha para água para o cachorrinho; duas garrafas de água (uma para o cão, uma para o Sr. Tatuagem) e mais alguns biscoitos para o homem.

Voltamos rapidamente ao ponto onde o deixamos, e lá estava ele, esperando imóvel. E ninguém mais parava para ele. Com as mãos tremendo, eu agarrei os sacos e sai do carro, todas as minhas quatro crianças seguiram-me, cada uma carregando um "presente". Enquanto andávamos até ele, eu tive um pequeno receio: e se ele for perigoso?

Quando olhei em seus olhos vi algo que me assustou e me deixou envergonhada por meu julgamento. Eu vi lágrimas. Ele lutava, como um menino, para segurar as lágrimas. Há quanto tempo ninguém mostra alguma bondade com este homem? Eu disse a ele que eu esperava que não estivesse muito pesado para ele carregar e mostrei o que tínhamos trazido. Ele parecia uma criança no Natal. Quando peguei a vasilha para água, ele a arrebatou de minhas mãos como se fosse ouro e me disse que não tinha como dar água a seu cão.

Meus olhos encheram-se de lágrimas quando ele disse
- Madame, eu nem sei o que dizer.
Então colocou as mãos sobre a cabeça e começou a chorar. Este homem, este homem "assustador", era tão delicado, tão doce, tão humilde.

Eu sorri, me segurando e disse
- Simplesmente não diga nada.

Enquanto nos afastávamos, pude percebê-lo ajoelhado, os braços em torno de seu cão, beijando seu focinho e sorrindo.

Eu tenho tanto... Minhas preocupações agora me parecem tão tolas e insignificantes.
Eu tenho um lar, um bom marido, quatro belas e sadias crianças.
Eu tenho uma cama confortável.
Eu gostaria de saber onde aquele homem dormiria à noite.

Minha filha, Brandie virou-se para mim e disse com a voz muito doce,
- Mãe, estou me sentindo tão bem...

Embora pareça que nós tenhamos ajudado, o homem com suas tatuagens é que nos deu um presente do qual jamais me esquecerei.

Ele ensinou que não importa a aparência, dentro de cada um de nós existe um ser humano merecedor de bondade, de compaixão, de aceitação.

A cada noite eu oro para o homem com as tatuagens e seu cão.
E eu espero que, ao longo de minha vida, Deus envie mais pessoas como ele para me lembrar do que é realmente importante.

Tradução de SergioBarros
do texto de Susan Farr Fahncke



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ONTEM EU PROCUREI VOCÊ.


autor . E. Barboza Neto.

Sabe de uma coisa? Ontem eu procurei muito por você; Onde você está que eu não lhe encontro?
Vaguei por todos os cantos a sua procura, por todos os lados eu fui, - aos jardins, aos bosques, aos rios, às praças, por todas as bandas eu perambulei, mas não encontrei você.

Sabe até onde eu procurei você? até no perfume da "dama da noite" com o qual a brisa gentilmente me presenteou, naquele momento mágico em que a lua, ainda, pendurada lá no céu, lançava o seu derradeiro olhar sobre a terra, demonstrando ares de quem já estava com sono. De nada adiantou, lá também você não estava.

Ah! mas eu vou encontrar você.

Sabe porque eu vou encontra-la? Para na dimensão do seu sorriso medir a extensão da minha felicidade, pois você é o espelho dos meus sonhos e eu quero ser os sonhos do seu espelho.

Eu preciso encontrar você pra lhe falar que eu quero ser a sua felicidade, pois a minha felicidade é você.

Eu quero encontrar você pra lhe mandar flores do campo, pois não tem como lhe mandar o campo em flor. Eu preciso encontrar você, para com a cabeça de encontro ao seu peito, dormir ao compasso do seu coração.

Eu preciso encontrar você, pra lhe dizer que eu não quero ser a sua fantasia, pois para mim você é a mais bela das realidades e ainda, que você alegra os dias do meu viver e que se tornou hóspede eterna no meu coração.

Ah! mas o dia que eu encontrar você vai ser muito bom, sabe o porquê? Você não vai precisar dizer nada, pois a sua presença para mim será a mais deslumbrande declaração de amor.

Mas você não sabe o que eu vou fazer no dia que encotrá-la! Nesse dia eu vou lhe dar o meu coração; Nossa! que bobagem eu disse, ele já e seu! Ah! eu sei o que eu vou fazer, vou  pedir o seu coração pra mim! Não! Isso não será possível, trata-se de um pedido muito especial e ele só terá lugar no dia em que eu estiver à sós com Deus.

Mas tem hora que acho que você só existe nos meus sonhos e que eu nunca vou encontrá-la, mas não faz mal, tudo está valendo a pena, pois a esperança de encontra você está me dando força bastante para suportar a saudade da sua ausência, até o dia que eu lhe encontrar.

EU CONTINUO PROCURANDO VOCÊ!

EU PROCURO UMA MULHER!


Eu procuro uma mulher menina, mas que seja uma menina mulher.
Eu procuro uma mulher com sorriso de menina mas uma menina com sorriso de mulher.

Eu procuro uma mulher que saiba sorrir, mas que se permita chorar.
Eu procuro uma mulher que saiba dividir as lágrimas e multiplicar os sorrisos.
Eu procuro uma mulher forte, mas que também tenha faquezas.
Eu procuro uma mulher que tenha coragem, mas que também sinta medo.
Eu procuro uma mulher que tenha pressa, mas que também goste do vagar.
Eu procuro uma mulher que seja o espelho dos meus sonhos e eu os sonhos do seu espelho.
Eu procuro uma mulher que sabe guardar segredos mas que se possa confiar.
Eu procuro uma mulher que me ame, mas que se deixa amar.
Eu procuro uma mulher que sonha mas que se permita acordar.
Eu procuro uma mulher que saiba partilhar a comida e dividir a fome.
Eu procuro uma mulher bonita no campo físico e linda na seara espiritual.
Eu procuro uma mulher que goste do silêncio, mas que saiba gritar.
Eu procuro uma mulher que me beije, mas que se deixa beijar.
Eu procuro uma mulher humilde mas que saiba arrogar.
Por derradeiro eu procuro uma mulher que espero encontrar.
Autor. E.Barboza Neto

QUASE UM POETA?


Autor- E. Barboza Neto.

Talvez eu seja um poeta,
Mas onde está minha poesia?
Ela pode estar no encanto dos seus olhos,
Dia - e - noite  noite - e - dia
Mas pode estar no seu belo sorriso
Que tanta beleza irradia.

Ela pode estar nos seus cabelos,
Ou quem sabe em suas mãos
Que tantas vezes se abriram
Em forma de doação,
Mas que outras tantas fecharam
Em forma de oração.

Mas ela pode estar no ar que respira,
Ou no seu modo faceiro
Que enfeita os meus dias
De janeiro à janeiro
Mas pode estar em suas palavras
Ou no seu jeito brejeiro.

Ela pode estar na claridade
Que sua presença anuncia
Ou na escuridão da noite,
Onde a noite vira dia.

Mas quem sabe nas labaredas da vida,
Que insultam a minha solidão
Queimando aos poucos meus sonhos,
Sem nenhuma compaixão.

Ela pode estar na lua que me beija o rosto,
Ou no sereno que me faz carinho,
Ou quem sabe no vento que faz serenata
Nas noites que durmo sozinho.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

PRECE DE UM JUIZ.


 A PRECE DE UM JUIZ
JOÃO ALFREDO MEDEIROS VIEIRA


SENHOR? Eu sou o único ser na terra a quem Tu deste uma parcela da Tua Onipotência: o poder de condenar ou absolver meus semelhantes.

Diante de mim as pessoas se inclinam; à minha voz acorrem, à minha palavra obedecem, ao meu mandado se entregam, ao meu gesto se unem, ou se separam, ou se despojam. Ao meu aceno as portas das prisões se fecham nas costas do condenado ou se lhe abrem, um dia, para a liberdade. O meu veredicto pode transformar a pobreza em abastança, e a riqueza em miséria. Da minha decisão depende o destino de muitas vidas. Sábios e ignorantes, ricos e pobres, homens e mulheres, os nascituros, as crianças, os jovens, os loucos e os moribundos, todos estão sujeitos, desde o nascimento até a morte, à LEI, que eu represento, e à JUSTIÇA, que eu simbolizo.

Quão pesado e terrível é o fardo que puseste nos meus ombros! Ajuda-me, Senhor! Faze com que eu seja digno desta excelsa missão! Que não me seduza a vaidade do cargo, não me invada o orgulho, não me atraia a tentação do Mal, não me fascinem as honrarias, não me exalcem as glórias vãs. Unge as minhas mãos, cinge a minha fronte, bafeja o meu espírito, a fim de que eu seja um sacerdote do Direito, que Tu criaste para a Sociedade Humana. Faze da minha Toga um manto incorruptível. E da minha pena não o estilete que fere, mas a seta que assinala a trajetória da Lei no caminho da Justiça.

AJUDA-ME, SENHOR a ser justo e firme, honesto e puro, comedido e magnânimo, sereno e humilde. Que eu seja implacável com o erro, mas compreensivo com os que erraram. Amigo da Verdade e guia dos que a procuram. Aplicador da Lei, mas antes de tudo cumpridor da mesma. Não permitas, jamais, que eu lave as mãos como Pilatos diante do inocente, nem atire, como Herodes, sobre os ombros do oprimido, a túnica do opróbrio. Que eu não tema César e nem, por temor dele, pergunte ao poviléu, se ele prefere "Barrabás ou Jesus”...

Que o meu veredicto não seja o anátema candente e sim a mensagem que regenera, a voz que conforta, a luz que clareia, a água que purifica, a semente que germina, a flor que nasce no azedume do coração humano. Que a minha sentença possa levar consolo ao atribulado e alento ao perseguido. Que ela possa enxugar as lágrimas da viúva e o pranto dos órfãos. E quando diante da cátedra em que me assento desfilarem os andrajosos, os miseráveis, os párias sem fé e sem esperança nos homens, espezinhados, escorraçados, pisoteados e cujas bocas salivam sem ter pão e cujos rostos são lavados nas lágrimas da dor, da humilhação e do desprezo, AJUDA-ME, SENHOR, a saciar a sua fome e sede de Justiça!

AJUDA-ME SENHOR!

Quando as minhas horas se povoarem de sombras; quando as urzes e os cardos do caminho me ferirem os pés; quando for grande a maldade dos homens; quando as labaredas do ódio crepitarem e os punhos se erguerem; quando o maquiavelismo e a solércia se insinuarem nos caminhos do Bem e inverterem as regras da Razão; quando o tentador ofuscar a minha mente e perturbar os meus sentidos, AJUDA-ME, SENHOR!

Quando me atormentar a dúvida, ilumina o meu espírito; quando eu vacilar, alenta a minha alma; quando eu esmorecer, conforta-me; quando eu tropeçar, ampara-me.

E QUANDO UM DIA, finalmente, eu sucumbir e já então como réu, comparecer à Tua Augusta Presença para o último Juízo, olha compassivo para mim. Dita, Senhor, a Tua sentença.

Julga-me como um Deus.
Eu julguei como homem.

As Pontes de Madison County


**Robert J. Waller**

Madison County, 07 de janeiro de 1987

Queridos Filhos,
Ainda que me sinta bem, creio que é hora de por minhas coisas em ordem. Existe algo muito importante, que vocês devem saber.

Para mim é difícil escrever isto a meus próprios filhos, mas devo fazê-lo. Aqui há algo que é demasiadamente forte, demasiadamente belo, para que morra comigo.

Como já descobriram, se chamava Robert Kincaid. Era fotógrafo e esteve aqui em 1965, fotografando as pontes cobertas. Recordam como a cidade estava emocionada quando as fotos apareceram no National Geographic? Recordam também que por essa época comecei a receber a revista. Agora conhecem o motivo de meu repentino interesse. A propósito eu estava com ele (levando uma das mochilas com as câmaras), quando tomou a foto da ponte Cedar.

Entendem que amei ao pai de vocês de uma maneira tranqüila. Ele foi bom comigo e me deu vocês dois a quem amo muito. Não o esqueçam. Mas Robert Kincaid foi muito diferente. A primeira vez que o vi foi quando me pediu orientação para chegar a ponte Roseman. Vocês e seu pai estavam na Feira Estadual de Illinois. Creia-me, eu não andava buscando nenhuma aventura. Isso era a última coisa que ocupava minha mente. Mas ao mirá-lo soube que o desejava, ainda que não tanto como cheguei a desejá-lo depois.

Ele era um pouco tímido, e eu tive tudo a ver com o que passou como ele. A nota guardada junto com sua pulseira é a que eu preguei na ponte Roseman para que ele a visse, na manhã depois de conhecermos. As fotos minhas que ele conservava foram as única prova que ele teve, ao longo dos anos, de que eu existia, de que não era algum sonho que ele havia tido.

Em nossa velha cozinha, Robert e eu passamos horas juntos. Falamos e dançamos a luz das velas. E, sim, fizemos amor ali e no dormitório e no jardim e em qualquer outro lugar que pensem. Era uma relação incrível, poderosa, transcendente, e continuou durante dias, quase sem parar. Sempre tenho empregado a palavra forte ao pensar nele.

Porque assim era quando nos conhecemos. Era como uma flecha na sua intensidade.

Filhos, compreendam que trato de expressar algo que não se pode dizer com palavras. Só desejo que algum dia os dois possam viver o que eu experimentei.

Se não fosse por seu pai e por vocês, eu teria ido a qualquer lugar com ele. Ele me pediu, me suplicou que o acompanhasse. Mas eu não pude fazê-lo e ele era uma pessoa muito sensível e afetuosa para nunca interferir nas nossas vidas.

O paradoxo é que se não houvera sido por Robert, não estou segura de ter podido permanecer na granja por todos esses anos. Em quatro dias me deu toda uma vida, um universo, e uniu em uma só as partes separadas de mim. Nunca tenho deixado de pensar nele, nem por um momento. ainda quando não se achava em minha mente consciente, o sentia em alguma parte, estava sempre ali.

Mas isso nunca diminuiu o que sentia por vocês dois e pelo seu pai. Ao pensar só em mim por um momento, não estou segura de ter tomado a decisão correta. Mas tendo em conta a família, creio com bastante certeza que sim.

Não quero que sintam culpa ou lástima por nós. Só quero que saibam o quanto amei a Robert Kincaid. Eu o senti dia após dia, durante todos estes anos, o mesmo que ele.

Ainda que nunca mais tenhamos voltado a nos falar, permanecemos unidos tão estreitamente como é possível que se unam duas pessoas. Não consigo encontrar as palavras para expressar da forma adequada. Ele o fez melhor quando me disse que tínhamos deixado de ser dois seres separados, e, em troca, nos tínhamos convertidos em um terceiro, formado pelos dois. Nenhum de nós dois existia independentemente deste ser. E esse ser ficou sem rumo.

Não me envergonho do que Robert e eu vivemos juntos. Eu o amei desesperadamente durante todos esses anos, ainda que, por minhas próprias razões, somente uma vez tratei de entrar em contato com ele. Foi depois da morte de seu pai. O intento fracassou e temi que houvesse acontecido algo. Assim nunca mais voltei a tentá-lo, por causa desse medo. Simplesmente não podia enfrentar essa realidade. De maneira que agora podem imaginar o que senti quando soube da sua morte.

Como disse, espero que compreendam e não pensem mal de mim. Se me amam, devem amar o que fiz. Robert Kincaid me mostrou como era ser mulher de um modo que poucas mulheres experimentaram. Era atraente e carinhoso, e por certo merece o respeito e talvez o amor de vocês. Espero que possam dar-lhe as duas coisas. A seu próprio modo, através de mim, ele foi bom com vocês.
Que sejam felizes, meus filhos.

Mamãe

"Quando assisti a esse filme (As Pontes de Madison Count), tive contato com uma situação que naquela época era totalmente irreal para mim... Uma situação completamente impensável, mas tinha algo nela de "dejà vu" que me incomodou muito... Como se fosse um insight do que me reservava o futuro... Hoje, vários anos depois, eu entendo perfeitamente os sentimentos e a opção feita por Francesca. Ela tinha que optar pelo amor por um (o grande amor de sua vida) para o amor por muitos (marido e filhos). Agora compreendo que o verdadeiro amor, aquele incondicional, verdadeiro, eterno, o que une almas gêmeas, espíritos afins... Isso é o amor que ultrapassa essa barreira efêmera de tempo e espaço, não necessariamente estará ao seu lado fisicamente até os fins de sua vida terrena; mas com certeza estará gravado em sua alma... em seu coração...."

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

MEU AMOR - A LUA E O MAR


Alphonsus de Guimaraens

Quando meu amor enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

UMA BELA LIÇÃO DE AMOR


1º ANO DO COLEGIAL

Enquanto sentado na aula de inglês, eu admirava a garota ao meu lado. Ela era a minha tão chamada "melhor amiga". Eu admirava seu lindo cabelo longo e desejava que ela fosse minha. Mas ela não me via com estes olhos, e eu sabia disso. Depois da aula, ela veio em minha direção e me pediu pelas minhas anotações, pois tinha perdido a aula passada, e eu as entreguei a ela. Ela disse "obrigada" e me deu um beijo na bochecha. Eu queria dizer a ela... eu quero que ela saiba que eu não quero que sejamos apenas amigos, eu a amo mas sou muito tímido, e não sei porquê.

2º ANO DO COLEGIAL

O telefone tocou. Do outro lado da linha, era ela. Ela estava em prantos, murmurando continuamente sobre seu coração que fora partido por seu amor. Ela me disse que fosse vê-la porque ela não queria ficar só, então eu fui. Assim que me sentei ao seu lado no sofá, eu me fixei em seu suave olhar, desejando que ela fosse minha. Após duas horas, um filme da Drew Barrymore, e três sacos de salgadinhos, ela decidiu ir dormir.
Ela olhou pra mim, disse "obrigada" e me deu um beijo na bochecha. Eu queria dizer a ela... eu quero que ela saiba que eu não quero que sejamos apenas amigos, eu a amo mas sou muito tímido, e não sei porque.

3º ANO DO COLEGIAL

Na véspera do baile de formatura ela foi até o meu armário. "O meu par está doente", ela disse, "e ele não vai melhorar". Eu não tinha companhia, e na 7ª série fizemos um pacto que se nenhum de nós tivessemos companhia para o baile, iríamos juntos como "melhores amigos". Então fomos.

NOITE DO BAILE

Após tudo terminado, eu estava de pé, parado, na porta da casa dela! Eu a fitei enquanto ela sorria pra mim e me fitava com seus olhos de cristal. Eu quero que ela seja minha, mas não pensa em mim dessa forma, eu sei disso. Então ela disse "Foi o melhor momento da minha vida, obrigada!" e deu-me um beijo na bochecha. disse "obrigada" e me deu um beijo na bochecha. Eu queria dizer a ela, eu quero que ela saiba que eu não quero que sejamos apenas amigos, eu a amo mas sou muito tímido, e não sei porquê.

DIA DA FORMATURA

Um dia passou, depois uma semana, depois um mês. Antes que eu pudesse piscar era o dia da formatura. Eu olhei enquando seu corpo perfeito flutuava como um anjo até a plataforma para pegar seu diploma. Eu queria que ela fosse minha, mas ela não me via dessa forma, e eu sabia disso. Antes que todos se dirigissem aos seus lares, ela veio até mim em seu traje de formanda, e chorou enquanto eu a abraçava. Então ela levantou a cabeça de meu ombro e disse "Você é meu melhor amigo, obrigada", e deu-me um beijo na bochecha. Eu queria dizer a ela, eu quero que ela saiba que eu não quero que sejamos apenas amigos, eu a amo mas sou muito tímido, e não sei porquê.

ALGUNS ANOS DEPOIS

Agora estou eu sentado no banco da igreja. Aquela garota está se casando agora. Eu a vi dizer sim e seguir em frente, rumo a sua nova vida, casada com outro homem. Eu queria que ela fosse minha, mas ela não me via dessa maneira, e eu sabia disso. Mas antes que ela partisse, ela veio até mim e disse "Você veio!!!". Ela disse "obrigada" e beijou-me na bochecha. Eu quero dizer a ela, eu quero que ela saiba que eu não quero que sejamos apenas amigos, eu a amo mas sou muito tímido, e não sei porquê.

FUNERAL

Anos se passaram, e eu olho para o caixão de uma garota que costumava ser minha "melhor amiga". Na cerimônia, leram a entrada do diário dela, escrito na época do colegial. Isto foi o que leram:

— Eu o admiro desejando que ele fosse meu, mas ele não me vê dessa forma, e eu sei disso. Eu quero dizer a ele, eu quero que ele saiba que eu não quero que sejamos apenas amigos. Eu o amo mas sou tímida, e não sei porquê. Eu queria que ele me dissesse que me ama!

Eu queria também... Eu pensei pra mim, e eu chorei.

Eu te amo

Eu te amo

Eu te amo

Eu te amo

Eu te amo

Eu te amo

Se você ama alguém, então deixe que a pessoa saiba, antes que seja tarde demais. É melhor permitir que a pessoa saiba, do que se machucar, vendo-o (a) com outra pessoa.

© Charles Chaplin

A BORBOLETA AZUL


Havia um viúvo que morava com suas duas filhas curiosas e inteligentes.

As meninas sempre faziam muitas perguntas.
Algumas ele sabia responder, outras não.

Como pretendia oferecer a elas a melhor educação, mandou as meninas passarem férias com um sábio que morava no alto de uma colina.

O sábio sempre respondia todas as perguntas sem hesitar.
Impacientes com o sábio, as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder.
Então, uma delas apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar uma peça no sábio.

— O que você vai fazer? - perguntou a irmã.
— Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta.
— Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar. Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim qualquer resposta que o sábio nos der estará errada!
As duas meninas foram então ao encontro do sábio, que estava meditando.
— Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio, ela está viva ou morta?

Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
— Depende de você... ela está em suas mãos.

Assim é a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro.
Não devemos culpar ninguém quando algo dá errado.
Somos nós os responsáveis por aquilo que conquistamos (ou não conquistamos).

Nossa vida está em nossas mãos, como a borboleta azul...
Cabe a nós escolher o que fazer com ela.

Autor Desconhecido

(Presente de Saramar Mendes)

O MILAGRE DA VIDA



Albert Einstein

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Fonte: Citador.pt


OITAVA MARAVILHA


Certo ou errado eu te amo
Te amo como o trovão
Que estronda nos céus
Te amo como o sol ama a lua
Te amo até distante
Como quando o sol brilha
E a lua se esconde

Tenho como testemunhas deste amor
As estrelas do universo
E como cúmplice tenho
O vento que sopra sob o luar
Tenho como aliados deste amor
As ondas rebeldes ou a calmaria dos mares

Te amo como um eclipse lunar
Que no auge do amor,
A lua e o sol se abraçam
Resultando a nona maravilha do mundo
Pois a oitava maravilha
É este amor imenso que sinto por ti!


Autora: LÚCIA BIAZETTO
(Direitos autorais reservados