terça-feira, 28 de setembro de 2010

REENCONTRO - Mellis-


Ela não sabia que aquele seria um outro dia,
um dia diferente de todos os outros,
aquele que guardaria em seu bôjo de sol
um clarão capaz de iluminar o coração,
despertar os sentidos ...
Era meio da manhã, e ele bateu à sua porta.
Quando ela o viu, quando ele a viu,
em cada olhar calou-se um mudo espanto,
e a emoção se fez de um doce encanto,
como se fosse um terno reencontro,
sem que eles nunca houvessem estado juntos antes ...
Ó êxtase da alma que se reconhece em outra alma,
que soluça uma saudade secular ,
uma separação sofrida no silêncio dos sentidos,
e que se vê diante do impossível,
tateando entre lembranças bordadas no invisível !
Naquele instante, o tempo já não fez sentido.
Definitivamente, eram um par ! Inesquecíveis parceiros
de uma valsa que ficou suspensa entre os arcos da existência,
cúmplices de afetos jurados para a eternidade,
súplices de uma ternura que os reunisse uma vez mais... .
Ele a tomou num terno abraço, e em seus braços
ela sentiu a inequívoca dor dos que permanecem apaixonados,
a insuportável urgência da saudade,
uma outra verdade a brotar dentro de si ...
Naquela manhã, no primeiro instante em que se viram,
ambos souberam que já se conheciam,
ambos sentiram que se reconheciam,
ambos partiram todos os laços que os prendiam à realidade e,
silenciosamente, embora cumprindo outros papéis,
embora escravos de uma outra liberdade,
eles se amaram como sempre amaram,
e de um segundo fez-se a eternidade.
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