domingo, 4 de agosto de 2013

TÃO MEU.

Você é um erro que eu já havia cometido antes. Um erro que já havia prometido a mim mesma que não cometeria mais, um pedido íntimo para ser menos impulsiva. Mas não deu. Eu não consegui resistir àquele seu jeito de olhar e o mundo de possibilidades que eu enxerguei através disso. Não resisti ao calor, ao sufoco, à intensidade. Havia uma chama, entende? Mas o tempo passa e apaga as chamas, com sorte deixa alguma brasa apenas. E eu sempre esqueço que o tempo vai passar e destruir essas chamas que eu uso para aquecer mais meus caminhos.

Você é um sonho que eu já havia sonhado antes. Mais uma daquelas fantasias que eu pensei que a idade curaria. Não deu de novo. Sou imune a certas curas e totalmente propensa a certas doenças. A doença do romantismo, por exemplo. É sempre ela que me empurra para os mesmos erros, as mesmas esperanças , efeitos colaterais que até passam, mas que deixam cicatrizes.

Você é uma vontade que eu já senti antes. Uma provocação, uma insistência, um absurdo. Você é a lição que eu pensei que já tivesse aprendido. É meu céu e meu inferno. É mais um dos meus grandes enganos à espera de algo definitivo. Sim, eu gosto do movimento, nunca digo não a ele, mas espero ansiosa por algo que me faça aquietar. E eu quis tanto que fosse você!

Deve ser porque, apesar de tudo isso, você é a presença que eu não havia tido ainda. Você é o retrato de um empenho que eu ainda não tinha experimentado; é a confluência de uma série de capacidades que eu não sabia que possuía. Você é a dedicação, a tolerância, a paciência, a vontade que eu não fazia ideia que pudesse ter.

Você é o encontro que eu ansiava, mas que eu nem achava que vinha. É a maior espera da minha vida! Você é um misto de satisfação e revolta que vem e volta, uma montanha russa instalada bem no meio do meu estômago. As vezes tenho vontade de te bater, mas todo o meu corpo só sabe mesmo é te carinhar.

Você é o amor que eu ainda não havia sentido. Um amor que eu não conhecia, não entendia, não alcançava. Você é o símbolo do meu inimaginável, o meu maior desafio. Quantas e quantas vezes eu pensei em sair correndo de você! No entanto, são maiores ainda as vezes em que eu não consigo me ver longe disso tudo que você me traz todos os dias. Sim, foram muitas as vezes que eu pensei que isso era qualquer coisa, menos amor. Mas foram incontáveis as vezes em que eu tive certeza de que é o maior amor que eu já pude sentir.

Você é a contradição da minha própria verdade: a chama que o tempo apaga mas que acende de novo quando eu menos imagino; o erro que, de tanto ser cometido, acaba virando acerto; o sonho que se realiza todos os dias; a espera que dói mas da qual não consigo abrir mão. Você é a coragem que se renova conforme o perigo.

Talvez você seja tão meu, mas tão meu, que por isso mesmo causa essa bagunça toda. Afinal, só alguém realmente meu conseguiria desbravar tanto esse tudo que sou eu.
Postado por Aliz - jornALIZta às 11:17
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