quinta-feira, 19 de maio de 2011

O QUE NÃO É AMOR


Augusto Schimanski

Já falou-se tanto em amor, amizade e paixão, mas não se fala do que não é amor.

Se você precisa de alguém para ser feliz, isso não é amor.
É carência!

Se você tem ciúme, insegurança e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado, mesmo sabendo que não é amado e ainda diz que confia nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais, isso não é amor.
É falta de amor próprio!

Se você acredita que " ruim com ela(e), pior sem ela(e) ", e sua vida fica vazia sem essa pessoa, não consegue se imaginar sozinho(a) e mantém um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria - existe em função do outro - isso não é amor.
É dependência!

Se você acha que o ser amado lhe pertence, sente-se dono (a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo, não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, só para afirmar seu domínio, isso não é amor.
É egoísmo!

Se você não sente desejo, não se realiza sexualmente, prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sente algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor.
É amizade!

Se vocês discutem por qualquer motivo, morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa, nem sempre fazem os mesmos planos, discordam em diversas situações, não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor.
É desejo!

Se seu coração palpita mais forte, o suor torna-se intenso, sua temperatura sobe e desce vertiginosamente, apenas em pensar na outra pessoa, isso não é amor.
É paixão!

Agora, sabendo o que não é amor, fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e procurar resolver a situação ou se programar para atrair alguém por quem sinta carinho e desejo, que sinta o mesmo por você, para que possam construir um relacionamento equilibrado.
Aí sim, este é o Verdadeiro e Eterno Amor!

Meu pai me disse um dia:
"Filho... você terá três tipos de pessoa na sua vida:

— Um amigo, aquela pessoa que você terá sempre em grande estima, que você sabe que poderá contar sempre; que bastará você insinuar que está precisando de ajuda e a ajuda está sendo dada;
— Uma amante, aquela pessoa que faz o seu coração pulsar; que fará com que você flutue e nada importará quando vocês estiverem juntos;
— Uma paixão, aquela pessoa que você amará, desejará incondicionalmente, às vezes nem lhe importando se ela lhe quer ou não, e talvez ela nem fique sabendo disso.

Mas, se você conseguir reunir essa três pessoas numa só - pode ter certeza meu filho:
— Você encontrou a Felicidade."

BELAS TROVAS


Uma Trova Nacional

Desato o nó da lembrança
e um facho de luz sem fim,
me traz de volta a criança
que um dia fugiu de mim.
–RITA MOURÃO/SP–

Uma Trova Potiguar

Este amor que nos afaga,
no silêncio de nós dois,
é uma luz que não se apaga,
nem agora, nem depois…
–ULISSES FREITAS JUNIOR/RN–

Uma Trova Premiada

1989 – São Paulo/SP
Tema: SEGREDO – Venc.

Este amor mal disfarçado
em teu olhar de esperança,
é segredo mal guardado
num cofre sem segurança.
–THALMA TAVARES/SP–

…E Suas Trovas Ficaram

De minha alma, nas dobrinhas,
a sua alma se aninhou…
As duas parecem minhas,
no ambíguo que eu hoje sou!
–FERNANDO VASCONCELOS/PR–

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A VOZ DO SILÊNCIO [Martha Medeiros]


Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

PERTO DOS OLHOS [Sôni@Pallone]


"... Ontem eu te vi,
passando por mim displicente e
levando a vida num sorriso...
Perdi minha pretensa direção
e fiquei ali, remoendo uma dor
que pensei, não doía mais...
Meu coração tresloucado
bateu forte,
e a vontade que eu tive foi de correr
e me embrenhar em você,
num afã louco de saudades...

Tropecei em minha sombra
e pisei nos próprios pés...

Segui então, a procura de alguém
que me desse a solidez sugestiva
da sua presença...
Alguém que me fizesse umedecer os olhos,
e me desse a impressão de que,
se a sua ausência não mata...quase..."

DESPERTAR [Mary Fioratti]



DESPERTAR



sua voz sempre me acaricia
no raiar do dia
e a musica da sua existência
verbaliza-se em um som
tão conhecido para meus ouvidos
você chegou de mansinho
na alvorada de minha solidão
na hora certa quando os ponteiros de minha vida
estavam totalmente atrasados
acertou todos os minutos de meus sonhos
aplainou meus caminhos com suas mãos pequenas e macias
olhou-me bem dentro dos olhos
e deu-me aquela certeza interior
de que você havia chegado para ficar

e ficou! (em meu coracão)

desfez-se em ternuras e aconchegos
reconhecendo com seus dedos os fios de meus cabelos
com sua língua provando o sumo de meus lábios
e para sempre selando nossos destinos

seu sorriso sempre me encanta
alto, cristalino, transparente, verdadeiro
e quando falo de ausência e de destino
de encruzilhadas e caminhos
você tão simplesmente me mostra
com seu riso solto e cabelos ao vento
que eu não me preocupe com pensamentos tolos
porque você é a certeza
e que eu deixe de lado o futuro
e conscientize-me na magica desse encontro
onde o amor grita a cada verso da poesia
enquanto andamos sem medo lado a lado

Esse amor é feito de estrelas
no nosso céu escancarado de saudade
e dentro de seus olhos expressivos
resolvi deitar-me em definitivo
na sombra da minha felicidade

Mary Fioratti

terça-feira, 12 de abril de 2011

VETERANOS DE GUERRA


© MARTHA MEDEIROS

Depois de uma certa idade, somos todos veteranos de alguma relação amorosa que deixou cicatrizes.

Outro dia li o comentário de alguém que dizia que o casamento é uma armadilha: fácil de entrar e difícil de sair. Como na guerra. Aí fiquei lembrando dos desfiles de veteranos de guerra que a gente vê em filmes americanos, homens uniformizados em suas cadeiras-de-roda apresentando suas medalhas e também suas amputações.

Se o amor e a guerra se assemelham, poderíamos imaginar também um desfile de mulheres sobreviventes desse embate no qual todo mundo quer entrar e poucos conseguem sair – ilesos. Não se perde uma perna ou braço, mas muitos perdem o juízo e alguns até a fé.

Depois de uma certa idade, somos todos veteranos de alguma relação amorosa que deixou cicatrizes. Todos. Há inclusive os que trazem marcas imperceptíveis a olho nu, pois não são sobreviventes do que lhes aconteceu, e sim do que não lhes aconteceu: sobreviveram à irrealização de seus sonhos, que é algo que machuca muito mais.

São os veteranos da solidão. Há aqueles que viveram um amor de juventude que terminou cedo demais, seja por pressa, inexperiência ou imaturidade. Casam-se, depois, com outra pessoa, constituem família e são felizes, mas dói uma ausência do passado, aquela pequena batalha perdida. Há os que amaram uma vez em silêncio, sem se declararem, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada. Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estraçalhou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado. E há os que viveram amores ardentes, explosivos, computando vitórias e derrotas diárias: saem com talhos na alma, porém mais fortes do que antes.

Há os que preferem não se arriscar: mantêm-se na mesma trincheira sem se mover, escondidos da guerra, mas ela os alcança, sorrateira, e lhes apresenta um espelho para que vejam suas rugas e seu olhar opaco, as marcas precoces que surgem nos que, por medo de se ferir, optaram por não viver. Há os que têm a sorte de um amor tranquilo: foram convocados para serem os enfermeiros do acampamento, os motoristas da tropa, estão ali para servir e não para brigar na linha de frente, e sobrevivem sem nem uma unha quebrada, mas desfilam mesmo assim, vitoriosos, porque foram imprescindíveis ao limpar o sangue dos outros.

Há os que sofrem quando a guerra acaba, pois ao menos tinham um ideal, e agora não sabem o que fazer com um futuro de paz. Há os que se apaixonam por seus inimigos. A esses, o céu e o inferno estão prometidos. E há os que não resistem até o final da história: morrem durante a luta e viram memória. Todos são convocados quando jovens. Mas é no desfile final que se saberá quem conquistou medalhas por bravura e conseguiu, em meio ao caos, às neuras e às mutilações, manter o coração ainda batendo

sábado, 2 de abril de 2011

RUGAS IRRETOCÁVEIS


Tenho cabelos claros, pintados, para esconder os fios brancos.
Não me recordo exatamente em que ano eles começaram a branquear...


Tenho algumas rugas em volta dos olhos, mas também não me recordo quando elas começaram a aparecer. Tento disfarçá-las, são tantas novidades no campo da dermatologia, achei por bem aproveitá-las. Do corpo, quase não cuido, só recentemente entrei para uma academia por ordem médica. Ele me disse que na minha idade preciso de exercícios... Mas falto mais do que vou, não gosto de fazer ginástica.


Das minhas unhas cuido semanalmente, penso que elas são um cartão de visita. Unhas maltratadas causam uma péssima impressão! De uns dez anos pra cá descobri os cremes e aí compro um aqui, outro ali e no final não uso nenhum, mas compro, só de olhá-los na prateleira já percebo que as rugas se retraem. Sou assim, vaidosa, mas não em excesso, penso que sou na medida certa, na medida correta para uma mulher. Enfim, os anos passam e as marcas que eles deixam em nós, não temos como conter. Nem pretendo isso! Acredito que cada marca, que meu corpo carrega, tem uma linda história.


Às vezes, na frente do espelho, ao descobrir uma nova ruguinha, fico pensando o que a causou. Depois reencontro com outra que já está vincada há anos e me recordo quando ela apareceu. Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco. Foram filhos, amores, marido, amigos que colocaram eles ali. Não quero me desfazer de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las, acho que mereço isso. A vida me deve isso.


Atualmente a parte que merece mais a minha atenção, é a cabeça. Tento, todos os dias, colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias. Corpo e mente caminham juntos. Se um estiver em estado lastimável, o outro provavelmente vai se deteriorar. Não escondo minha idade. Não adiantaria falar que tenho trinta e cinco e apresentar um filho de trinta. Portanto eu confesso: tenho sessenta e um anos. Metade deles bem vividos, a outra metade muito sofridos.


Mas é exatamente aí que está o encanto da minha idade. Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos sorrisos e ambos me fizeram ser essa pessoa que sou hoje. Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos. Minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de expressão que eu adquiri por tanto sorrir, muitas vezes, quando o coração chorava.


© SILVANA DUBOC