sexta-feira, 20 de abril de 2012
UM AMOR DE BOLERO
- Me abrace forte... Assim... Gostoso!... Como é próprio dessa dança que você mais gosta...
- Um bolero lento...
- Sim, um abraço de bolero, digamos, inocente... - diz achando graça do que diz.
Os pés nem se mexem, só as pernas que se tocam entremeadas. E um abre a boca pra dizer algo, mas não diz porque a música está um pouco alta, e o outro com o rosto colado pergunta:
- Que disse?
- Nada...
- Que ia dizer? .
- Só pensei...
- Que foi que pensou?
- Nada...
- Parece que ouvi...
- Acho que foi a música.
- Que música?
- Da minha alma – responde rindo.
- Mas eu ouvi...
- É o eco do meu coração, querida.
- Que é isso?
- Uma voz que ressoa na alma.
- Mas eu ouvi...
- É, quando o abraço é de alma ouve-se a voz do coração...
- Abraço de quê? Desculpe, a música está alta...
- Nada. Deixa pra lá, depois eu explico.
Dançam mais um pouco e a música pára, mas eles nem notam e continuam abraçados de olhos fechados no meio do salão.
- Está vendo o que está acontecendo ao redor?...
- Que é que está acontecendo?
- Já há muito que o bolero acabou e só nós estamos abraçados no meio do salão...
- Como se mais ninguém existisse no mundo...
- Não existe mesmo mais ninguém...
- Só nós...
Os dois estavam parados no meio do salão...
Finalmente olham meio envergonhados e vêem que todos os vêem assim parados.
Mas ouve-se um aplauso. E todos sem exceção batem palmas porque não há quem não se dobre diante de um encanto desses...
© Adelmario Sampaio © 2004
(Presente da Aurea)
PORQUE TE AMO- Renata P. Almeida
O coração diz que te quer
A circunstância diz que eu não posso
O coração diz que preciso
A mágoa diz que você não merece
O coração diz que te amo
A razão pergunta:"Por que?"
O meu olhar te chama
E o silêncio te afasta
Fecho os olhos e te sinto aqui
E quando abro, você não está!
Quero tocá-lo, mas sinto somente o vazio
Quero beijá-lo, mas engulo em seco o desejo
Quero ouvir a sua voz
Ouço só um grito:o do silêncio!
Quero chamá-lo e a solidão me cala
Quero você com todos os defeitos
Por que? Por que???
Porque Eu Te Amo!!!
Autor(a): Renata Pereira Almeida__
É TRISTE DIZER ADEUS
É triste dizer adeus, mas às vezes é necessário. Não podemos prender a nós definitivamente as pessoas que amamos para suprir nossa necessidade de afeto. O amor que ama, aprende a libertar.
Procuramos ganhar tempo para tudo na vida. Mas a vida, quando chega no próprio limite, despede-se e é esse último adeus que é difícil de compreender e, mais ainda, aceitar.
Possuímos um conceito errado do amor. Amar seria, no seu total significado, colocar a felicidade do outro acima de tudo, mas na realidade é a nossa felicidade que levamos em consideração. Queremos os que amamos perto de nós porque isso nos completa, nos deixa bem e seguros. E aceitar que nos deixem é a mais difícil de todas as coisas.
Não dizemos sempre que queremos partir antes de todos os que amamos? Isso é para evitar nosso próprio sofrimento, nossa própria desolação.
É o amor na sua forma egoísta.
Aceitar um adeus definitivo é uma luta. Se as perdas acontecem cedo demais ou de forma inesperada, o sentimento de desamparo é muito maior e a dor mais prolongada. É o incompreensível casando-se com o inaceitável e o tudo rasgando a alma. Essas dores poderão se acalmar, mas nunca se apagarão.
Mas quando a vida chega ao final depois de primaveras e primaveras e outonos e mais outonos, nada mais justo que o repouso e aceitar a partida é uma forma de dizer ao outro que o amamos, apesar da falta que vai fazer.
Não podemos prender as pessoas a nós para ter a oportunidade de dizer tudo o que queremos ou fazer tudo o que podemos por elas. De qualquer forma, depois que se forem, sempre nos perguntaremos se não poderíamos ter dito ou feito algo mais. Mas essas questões são inúteis.
O amor que ama integralmente não quer ver o outro sofrer e ele abre mão dos próprios sentimentos para que o destino se cumpra, para que a vida siga seu curso.
As dores do adeus são as mais profundas de todas. Mas elas também amenizam-se com o tempo e um dia, sem culpa, voltamos a sorrir, voltamos a abrir a janela e descobrimos novamente o arco-íris da vida.
Depois da tempestade descobrimos um dia novo e o sol brilha de maneira diferente. E talvez seja assim que aprendemos a dar valor à vida, aos que nos cercam; aprendemos a viver de forma a não ter arrependimentos depois e aproveitar ainda mais cada segundo vivido em companhia daqueles que nosso coração ama.
© Letícia Thompson
MEU PORTO SEGURO - SILVANA DUBOC
Oi Pai, é, eu cresci
Mas de nada eu esqueci.
Me lembro de cada momento que tivemos
Uns grandes, outros pequenos
Mas todos ficaram aqui gravados
Como se estivessem tatuados.
É pai, cresci,
Mas você nunca saiu daqui
De dentro do meu coração
Viveu sempre a sua imagem
Muitas vezes envolta em saudade.
Se lembra quando eu ainda era criança
Um tico de gente, e você jovem e eloqüente?
Me dava a sua mão pra caminharmos
E naquele instante o mundo pra mim parava
Naquele momento nada me ameaçava.
Se lembra do meu sorriso quando encontrava o seu?
Das minhas lágrimas que você secava
quando algo me chateava?
Se lembra quando passeávamos,
andávamos de bicicleta e conversávamos?
Pai, era tudo tão bom!
A sua companhia era uma alegria
O seu olhar, o meu porto seguro
E a sua voz pra mim era o mundo.
Mas eu cresci pai
A vida mudou
Me acorrentou em compromissos
Me arrancou um pouco de você
E é por isso que hoje eu vim aqui lhe dizer
Que na verdade, nada mudou...
Você continua sendo o meu amor
O meu espelho
O meu grande conselheiro
A ponte para atravessar qualquer rio
O porto seguro do meu navio.
Pai, eu ser ter crescido
Você ter cabelos brancos
Na verdade, não quebrou o encanto
Porque ele vive é dentro de nós.
Me perdoa muitas vezes a distância
Faz parte da minha ignorância
Quem sabe até da minha infância
Aquela que eu ainda trago dentro de mim
E que na verdade gosto que seja assim
Porque sendo como é
Nunca esqueço do seu valor
Embora essa minha distância
As vezes lhe leve a dor.
Olha pai, eu só vim aqui mesmo pra dizer
Que não teria conseguido
Se não fosse o seu amor
O seu carinho e o seu calor.
E agradeço a Deus todo dia
Por ter colocado na minha vida
A sua grande companhia!!!!
Dedicado a todos os pais que muitas vezes
sentem seus filhos um pouco ausentes....
o que não quer jamais dizer que o amor acabou.
© Silvana Duboc
QUANDO AMAMOS UM POETA - VILMA GALVÃO
Amar um poeta nem sempre é fácil,
devemos saber separar o que é nosso
do que é para nós...
Devemos lembrar que seu coração é dividido,
entre o amor por nós e o seu sonho de amor.
Devemos aceitar seu olhar para a lua,
seus desejos pelo impossível,
suas lembranças de algo que nunca viveu...
Para amar um poeta,
é preciso que estejamos atentos
aos seus devaneios e às suas viagens imaginárias...
O poeta sente dor que não dói,
ama o que não conhece,
sente saudade do que nunca teve,
inventa sentimentos,
comete loucuras!
Se quer amar um poeta,
seja poeta também,
entre no seu mundo; ajude-o criar ilusões!
Se deseja entender um poeta,
esqueça do real,
viva na eternidade dos sonhos dele...
SAUDADES
© Rosa Pena
Ando com saudades de café com pão, de namorados dando beijinhos no portão, de pedir bênção a pai e mãe, (Deus te abençoe), do sinal da cruz que fazia quando passava na frente da igreja, de ver um varal cheio de roupa com cheiro apenas de sabão, de ver alguém sorrindo enquanto lava a louça com bucha vegetal, de sentir respeito pela policia, de cantar o hino Nacional com mão no peito e lágrimas nos olhos, de acreditar que o Brasil ganhou a Copa do Mundo porque jogou direito, de saber que o Zezinho filho do porteiro não vai morrer de dengue e que Maria feirante poderá ter um filho médico. Saudades de homens que usavam apenas o assobio como galanteio.Fiu-fiu!
Morro de saudades do tempo em que um presidente de uma nação era o mais respeitado cidadão do país.Que cadeia era lugar só de ladrão. Acho que andaram invertendo a situação.
Ando com saudades de galinha de galinheiro, de macarrão feito em casa com tempero sem agrotóxico, de só poder tomar guaraná em dia de festa, de homens de gravatas, de novela com final feliz, de pipoca doce de pipoqueiro, de dar bom dia à vizinha, de ouvir alguém dizer obrigado ao motorista e ele frear devagarinho preocupado com o passageiro. Saudades de gritar que a porta está aberta para os que chegam. Um saco destrancar tanto papaiz.
Saudades do tempo em que educação não era confundida com autenticidade. Hoje se fala o que quer, em nome de uma "tal" verdade e pedir perdão virou raridade.
Ando com saudades de ver no céu pipas não atingidas pelo efeito estufa.
Saudades das chuvas sem acidez, que não causavam aridez. Saudades de poder viajar sem medo de homem bomba, de ser recebida com pompa em outra nação.
Atualmente reina a desconfiança no coração.
Sinto muitas saudades do rubor das faces de minha mãe, quando se falava de sexo totalmente sem nexo.
Hoje ele é tão banal que até eu banalizei.
Acho que a maior saudade que tenho é a saudade de tudo que acreditei.
Para minha filha não poderei deixar sequer a esperança. Hoje já não se nasce criança.
Livro PreTextos/rosapena 2003
DESABAFO
**Clarice Lispector
Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
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