quarta-feira, 3 de agosto de 2011

PALAVRA MUDA - Soni@ Pallone


"...Dói tanto saber
Que este silêncio tolo que se arrasta comigo
Cresce no dia a dia,
Me envolve, assombra e arrepia
Dança, embebeda e nem assim
me serve de consolo...

Dói-me saber
que esta palavra muda
Que escorrega tranquila na garganta,
Provoca, fere e me espanta o interior...
Remexe, brinca e não resolve,
nada muda...

Dói-me saber enfim
Que amordaçada, a boca se reprime
E acorrentados,
os pés e mãos de gestos descontentes
Desistem da luta,
Adormecem,
E eu fico com a minha dor
sem saber de nada..."
Veja outras postagens:

A ARTE DA FELICIDADE - Willian



"Os ingredientes da felicidade são tão simples que podem ser contados nos dedos da mão.
Antes de mais nada, a felicidade deve ser compartilhada. O egoísmo é seu inimigo;
fazer feliz a outra pessoa é fazer feliz a si mesmo. A felicidade é silenciosa. Raras
vezes nos encontramos com ela em grandes aglomerações. Pode-se obtê-la com
mais facilidade em momentos de solidão e reflexão. Ela vem de dentro, e descansa
com mais segurança na bondade simples e uma clara consciência
.
A religião pode não ser essencial para consegui-la, mas não se sabe de
ninguém que a tenha alcançada sem uma filosofia baseada em princípios
éticos.

Não pode ser comprada. Na verdade, o dinheiro, por estranho que pareça, pouco tem
a ver com ela.
As pessoas não são felizes a menos que estejam razoavelmente satisfeitas
consigo próprias, de modo que a busca da tranqüilidade deve começar
necessariamente por um exame de consciência. Muitas vezes não ficaremos felizes
com o que encontrarmos nessa busca. Temos tanto para fazer, e tão pouco feito!

Mesmo assim, desta severa auto-análise depende a descoberta das qualidades que
tornam únicas todas as pessoas, e cujo desenvolvimento é a única forma de ser feliz..

SENTAR-SE Á JANELA - Alexandre Garcia


Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
A ansiedade de voar era enorme.

Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo
desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais
rápido até a decolagem.

Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens,
chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o
início, voar era uma necessidade constante.

As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a
estar em dois lugares num mesmo dia.

No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de
menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar
um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me
sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o
mar ou qualquer paisagem que fosse.

Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e
sair rápido.

As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair sem
ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o
compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para
voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o
mais rápido possível.

O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última
poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para
o embarque.

Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela
que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em
olhar.

E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez
que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio
na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo
passado pela chuva, apareceu o céu.

Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que
brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava
deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.

Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida
eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo,
olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e
convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela
da nossa vida.

A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o
que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias,
tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.

Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar,
sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a
viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do
corredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare um
pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.

A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é
anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por
essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum
detalhe.

Afinal...
"A vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos"

SONHEI COM VOCÊ



Em sonhos fugidos te busquei
Na saudade que era imensa
E nesta noite com você eu sonhei
A alegria do encontro foi intensa.

Olhamo-nos com tanta ternura
Querendo a saudade matar
Abraçamo-nos com loucura
Desejando loucamente se amar.

E assim realizou os sonhos
E deixamos o tempo correr
Nossos olhares risonhos
Amamo-nos com muito prazer.

Uma noite sem censura
Desatando sentimento guardado
Ainda sinto em mim sua procura
Neste lindo sonho apaixonado.

Amenizou aquela louca saudade
Que estava a me enlouquecer
Foi uma noite cheia de felicidade
Que jamais irei esquecer.

Autora: ROSELLY

SÓ TU - PAULO SETÚBAL


Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram,
Já não me lembro, nem sei...
São tantas as que me amaram!
São tantas que eu amei!
Mas tu que rude contraste!
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nest´alma, ficaste,
De todas as que eu amei...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

É TRISTE DIZER ADEUS



É triste dizer adeus, mas às vezes é necessário. Não podemos prender a nós definitivamente as pessoas que amamos para suprir nossa necessidade de afeto. O amor que ama, aprende a libertar.

Procuramos ganhar tempo para tudo na vida. Mas a vida, quando chega no próprio limite, despede-se e é esse último adeus que é difícil de compreender e, mais ainda, aceitar.

Possuímos um conceito errado do amor. Amar seria, no seu total significado, colocar a felicidade do outro acima de tudo, mas na realidade é a nossa felicidade que levamos em consideração. Queremos os que amamos perto de nós porque isso nos completa, nos deixa bem e seguros. E aceitar que nos deixem é a mais difícil de todas as coisas.

Não dizemos sempre que queremos partir antes de todos os que amamos? Isso é para evitar nosso próprio sofrimento, nossa própria desolação.

É o amor na sua forma egoísta.

Aceitar um adeus definitivo é uma luta. Se as perdas acontecem cedo demais ou de forma inesperada, o sentimento de desamparo é muito maior e a dor mais prolongada. É o incompreensível casando-se com o inaceitável e o tudo rasgando a alma. Essas dores poderão se acalmar, mas nunca se apagarão.

Mas quando a vida chega ao final depois de primaveras e primaveras e outonos e mais outonos, nada mais justo que o repouso e aceitar a partida é uma forma de dizer ao outro que o amamos, apesar da falta que vai fazer.

Não podemos prender as pessoas a nós para ter a oportunidade de dizer tudo o que queremos ou fazer tudo o que podemos por elas. De qualquer forma, depois que se forem, sempre nos perguntaremos se não poderíamos ter dito ou feito algo mais. Mas essas questões são inúteis.

O amor que ama integralmente não quer ver o outro sofrer e ele abre mão dos próprios sentimentos para que o destino se cumpra, para que a vida siga seu curso.

As dores do adeus são as mais profundas de todas. Mas elas também amenizam-se com o tempo e um dia, sem culpa, voltamos a sorrir, voltamos a abrir a janela e descobrimos novamente o arco-íris da vida.

Depois da tempestade descobrimos um dia novo e o sol brilha de maneira diferente. E talvez seja assim que aprendemos a dar valor à vida, aos que nos cercam; aprendemos a viver de forma a não ter arrependimentos depois e aproveitar ainda mais cada segundo vivido em companhia daqueles que nosso coração ama.

© Letícia Thompson

domingo, 17 de julho de 2011

PALAVRAS AO VENTO - PEDRO BIAL


Composição: Adriana Falcão
A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra
amor e se acha importantíssima por isso!
Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de
pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau
mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz
"abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em
príncipe e vice-versa...
Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser
coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte.
Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval",
esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data
marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra
você` e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com
assinatura embaixo".
Com D , se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o
"então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que
falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma
palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de
"escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as
estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem
também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por
quem ganhou um pirulito, por exemplo...
F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse
assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de
verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é
toda certeza que dispensa provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a
confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo
mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem
se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e
sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do
dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer
coisa que tenha acontecido ou sido inventada.
O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de
aniversário, queira ou não queira.
J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim",
que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar
assim.
L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do
que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se
espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só
pode ser completamente louco.
M de "madrugada", quando vivem os sonhos...
N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho
por dentro.
O de "óbvio", não precisa explicar...
P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram
que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá.
S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de
"segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo":
quando o beijo é maior que a boca.
T é de "talvez", resposta pior que ´não`, uma vez que ainda
deixa, meio bamba, uma esperança... de "tanto", um muito que até
ficou tonto... de "testemunha": quem por sorte ou por azar, não
estava em outro lugar.
U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia
o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade
de virar nenhum, pede cuidado.
Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de
"volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que
querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma
palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e
de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o
português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi
usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro
não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava
liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom
motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça
da gente ao final de um dicionário inteiro.