domingo, 29 de março de 2009

CADERNETA DE ANOTAÇÃO


O carteiro entregou o telegrama.José Roberto não agradeceu e enquanto abria o envelope, uma profunda ruga sulcou-lhe a testa. Uma expressão mais de surpresa do que de dor tomou-lhe conta do rosto. Palavras breves e incisas: - Seu pai faleceu. Enterro 18 horas. Mamãe.Jose Roberto continuou parado, olhando para o vazio. Nenhuma lágrima lhe veio aos olhos nenhum aperto no coração.Nada! Era como se houvesse morrido um estranho. Por que nada sentia pela morte do velho?Com um turbilhão de pensamentos confundido-o, avisou a esposa, tomou o ônibus e se foi, vencendo os silenciosos quilômetros de estrada enquanto a cabeça girava a mil.No íntimo, não queria ir ao funeral e, se estava indo era apenas para que a mãe não ficasse mais amargurada. Ela sabia que pai e filho não se davam bem. A coisa havia chegado ao final no dia em que, depois de mais uma chuva de acusações, José Roberto havia feito as malas e partido prometendo nunca mais botar os pés naquela casa. Um emprego razoável, casamento, telefonemas à mãe pelo Natal, Ano Novo ou Páscoa... Ele havia se desligado da família, não pensava no pai e a última coisa na vida que desejava na vida era ser parecido com ele.O velório: poucas pessoas. A mãe está lá, pálida, gelada, chorosa. Quando reviu o filho, as lágrimas correram silenciosas, foi um abraço de desesperado silêncio. Depois, ele viu o corpo sereno envolto por um lençol de rosas vermelho, como as que o pai gostava de cultivar. José Roberto não verteu uma única lágrima, o coração não pedia. Era como estar diante de um desconhecido, um estranho.O funeral: o sabiá cantando, o sol se pondo. Ele ficou em casa com a mãe até a noite, beijou-a e prometeu que voltaria trazendo netos e esposa para conhecê-la. Agora, ele poderia voltar à casa, porque aquele que não o amava, não estava mais lá para dar-lhe conselhos ácidos nem para criticá-lo. Na hora da despedida a mãe colocou-lhe algo pequeno e retangular na mão. Há mais tempo você poderia ter recebido isto - disse. Mas, infelizmente só depois que ele se foi eu encontrei entre os guardados mais importantes...Foi um gesto mecânico que, minutos depois de começar a viagem, meteu a mão no bolso e sentiu o presente. O foco mortiço da luz do bagageiro, revelou uma pequena caderneta de capa vermelha. Abriu-a curioso. Páginas amareladas. Na primeira, no alto, reconheceu a caligrafia firme do pai:"Nasceu hoje o José Roberto. Quase quatro quilos! O meu primeiro filho, um garotão! Estou orgulhoso de ser o pai daquele que será a minha continuação na Terra!". À medida que folheava, devorando cada anotação, sentia um aperto na boca do estomago, mistura de dor e perplexidade, pois as imagens do passado ressurgiram firmes e atrevidas como se acabassem de acontecer! "Hoje, meu filho foi para escola. Está um homenzinho! Quando eu vi ele de uniforme, fiquei emocionado e desejei-lhe um futuro cheio de sabedoria.A vida dele será diferente da minha, que não pude estudar por ter sido obrigado a ajudar meu pai. Mas para meu filho desejo o melhor. Não permitirei que a vida o castigue".Outra página"Roberto me pediu uma bicicleta, meu salário não dá, mas ele merece porque é estudioso e esforçado. Fiz um empréstimo que espero pagar com horas extras". José Roberto mordeu os lábios. Lembrava-se da sua intolerância, das brigas feitas para ganhar a sonhada bicicleta. Se todos os amigos ricos tinham uma, por que ele também não poderia ter a sua? "É duro para um pai castigar um filho e bem sei que ele poderá me odiar por isso; entretanto, devo educá-lo para seu próprio bem." "Foi assim que aprendi a ser um homem honrado e esse é o único modo que sei de ensiná-lo".José Roberto fechou os olhos e viu toda a cena quando por causa de uma bebedeira, tinha ido para a cadeia e naquela noite, se o pai não tivesse aparecido para impedi-lo de ir ao baile com os amigos... Lembrava-se apenas do automóvel retorcido e manchado de sangue que tinha batido contra uma árvore... Parecia ouvir sinos, o choro da cidade inteira enquanto quatro caixões seguiam lugubremente para o cemitério.As páginas se sucediam com ora curtas, ora longas anotações, cheias das respostas que revelam o quanto, em silêncio e amargura, o pai o havia amado.O "velho" escrevia de madrugada. Momento da solidão, num grito de silêncio, porque era desse jeito que ele era, ninguém o havia ensinado a chorar e a dividir suas dores, o mundo esperava que fosse durão para que não o julgassem nem fraco e nem covarde. E, no entanto, agora José Roberto estava tendo a prova que, debaixo daquela fachada de fortaleza havia um coração tão terno e cheio de amor.A última página.Aquela do dia em que ele havia partido: - "Deus, o que fiz de errado para meu filho me odiar tanto? Por que sou considerado culpado, se nada fiz, senão tentar transformá-lo em um homem de bem?" "Meu Deus, não permita que esta injustiça me atormente para sempre. Que um dia ele possa me compreender e perdoar por eu não ter sabido ser o pai que ele merecia ter."Depois não havia mais anotações e as folhas em branco davam a idéia de que o pai tinha morrido naquele momento. José Roberto fechou depressa a caderneta, o peito doía. O coração parecia haver crescido tanto, que lutava para escapar pela boca. Nem viu o ônibus entrar na rodoviária, levantou aflito e saiu quase correndo porque precisava de ar puro para respirar. A aurora rompia no céu e mais um dia começava."Honre seu pai para que os dias de sua velhice sejam tranqüilos!" - certa vez ele tinha ouvido essa frase e jamais havia refletido o na profundidade que ela continha.Em sua egocêntrica cegueira de adolescente, jamais havia parado para pensar em verdades mais profundas. Para ele, os pais eram descartáveis e sem valor como as embalagens que são atiradas ao lixo. Afinal, naqueles dias de pouca reflexão tudo era juventude, saúde, beleza, musica, cor, alegria, despreocupação, vaidade. Não era ele um semideus? Agora, porém, o tempo o havia envelhecido, fatigado e também tornado pai aquele falso herói.De repente. No jogo da vida, ele era o pai e seus atuais contestadores. Como não havia pensado nisso antes? Certamente por não ter tempo, pois andava muito ocupado com os negócios, a luta pela sobrevivência, a sede de passar fins de semana longe da cidade grande, a vontade de mergulhar no silêncio sem precisar dialogar com os filhos. Ele jamais tivera a idéia de comprar uma cadernetinha de capa vermelha para anotar uma frase sobre seus herdeiros, jamais lhe havia passado pela cabeça escrever que tinha orgulho daqueles que continuam o seu nome. Justamente ele, que se considerava o mais completo pai da Terra? Uma onda de vergonha quase o prostrou por terra numa derradeira lição de humildade. Quis gritar, erguer procurando agarrar o velho para sacudi-lo e abraçá-lo, encontrou apenas o vazio.Havia uma raquítica rosa vermelha num galho no jardim de uma casa, o sol acabava de nascer. Então, José Roberto acariciou as pétalas e lembrou-se da mãozona do pai podando, adubando e cuidando com amor. Por que nunca tinha percebido tudo aquilo antes? Uma lágrima brotou como o orvalho, e erguendo os olhos para o céu dourado, derepente, sorriu e desabafou-se numa confissão aliviadora: "Se Deus me mandasse escolher, eu juro que não queria ter tido outro pai que não fosse você velho! Obrigado por tanto amor, e me perdoe por haver sido tão cego.""Fale, curta, abrace, beije, sinta e ame todas as pessoas com que você pode ver e tocar"Aproveite a vida saudavelmente!!![UTOR DESCONHECIDO](Presente da Ju Scabello)

terça-feira, 10 de março de 2009

MULHER (Bruno Kampel)


Não quero uma mulherque seja gorda ou magraou alta ou baixaou isto e aquilo.Não quero uma mulhermas sim um porto, uma esquina onde virar a vida e olhá-lade dentro para fora.Não espero uma mulher mas um barco que me navegue uma tempestade que me aflija uma sensualidade que me serenidade que me nine.Não sonho uma mulher mas um grito de prazer saindo da boca pendurada no rosto emoldurado no corpo que se apoie nas pernas que me abracem.Não sonho nem quero uma mulhermas exijo aos meus devaneiosque encontrem a únicaque quero sonho e esperonão uma, mas ela.E sei onde se escondee conheço-lhe as senhasque a definem. O sexoardente, a volúpia estridentea carência do espasmoo Amor com o dedo no gatilho.Só quero essa mulhercom todos seus desertosonde descansar a minha peleexausta e a minha boca sedentae a minha vontade famintae a minha urgência aflitae a minha lágrima austerae a minha ternura eloqüente.Sim, essa mulher que me exciteos vinte e nove sentidosa única a sabero que dizercomo fazerquando pararonde Esperar.Essa a mulher que esperoe não esperoque quero e não queroessa a mulherportoesquinaque desejo e não desejoque outro a tenha.Que seja alta ou baixaisto ou aquilomas que seja elaaquela que seja minhae eu seja delaque seja eu e elaeuela eu lá nelaque sejamos ela.E eu então terei encontradoa mulher que não procuroo barco, a esquina, Você.Sim, você, que espreitado outro lado da esquina, no cais,a chegada do marinheirocomo quem apenas me espera.Então nos amarraremos sem vergonhaà luz dos holofotes dos teus olhos,e procriaremos gritos e gemidosque iluminarão todas as esquinas.Será o momento de dizerachei/achamos amei/amamose por primeira vez vocalizar osomos, pluralizando-nosna emoção do encontro.Essa a mulherque não procuronem espero.Você, viu? Você!

AMAR E SER AMADO (Guida Linhares).


O inesperado aconteceu!

Um beijo roubado no entardecer,

de loucos desejos nos preencheu!


E foram momentos de ternura,

em que céu e terra se tornaram um só,

num doce enlevo pleno de ventura.


Tudo mudou e ficou mais bonito,

pois o teu amor me acordou da letargia,

ao dizeres TE AMO, quase num grito.


E o Amor sorriu de contente,

na realização suprema de um ritual,

que aquece o coração de toda gente.


Descobrir-se que se é amado,

muda a vida e o destino se desvela,

ao dar vazão ao amor tão sonhado.


Vivo agora entre um e outro instante,

aguardando que chegues de mansinho,

me tomando nos braços, como doce amante.


Santos/SP

domingo, 8 de março de 2009

QUERO

Não quero que alguém morra de amor por mim...Prefiro esse alguém bem pertinho me abraçando.Não quero que alguém me ame como eu amo.Quero apenas que me ame.Não quero que alguém seja igual a mimPorque quero ser a única pessoa do jeitinho que sou para alguém.Não posso pretender que todas as pessoas gostem de mimmas posso imaginar que algumas gostem...E talvez um sorriso meu possa fazer, pelo menos,que uma dessas pessoas sorria também!Quero fechar meus olhos e pensar em alguém E imaginar que alguém pensa em mim.Quero ser um pedacinho do mundo de alguém e saber que esse alguém precisa de mim e que sou importantee que talvez sem mim a vida não fique tão boa.Quero ter certeza que apesar das minhas burrices e loucuras alguém gosta de mim como eu sou!Quero conseguir só lembrar das coisas boas que alguém possater feito pra mim e procurar não melembrar das ruins Não quero brigar com o mundo e se o mundo brigar comigoquero ter coragem de enfrentá-loQuero sempre poder dizer o quanto alguém é especial e importante pra mim Quero poder acreditar que mesmo que hoje eu não consiga,vou conseguir um dia!Quero poder sempre dizer a alguém que gosto delee o quanto gosto e como gosto!Se você tem um alguém, alguém especial e importantena sua vida, não deixe de dizer isso... Talvez alguém goste de escutar!...© Mario Quintana

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um médico chamado Jaime Smith era a favor da eutanásia. Certa vez foi chamado para fazer um parto muito difícil, numa casa muito pobre. Após várias ho


Um médico chamado Jaime Smith era a favor da eutanásia. Certa vez foi chamado para fazer um parto muito difícil, numa casa muito pobre. Após várias horas de trabalho, nasceu um menino. Mas, viu que ele tinha um pé para trás. Imediatamente pensou: "Esta senhora é muito pobre e já tem 8 filhos, como é que esta criança vai se desenvolver neste estado de pobreza? Se eu der uma injeção nesse bebê agora e matá-lo vou acabar com todos os problemas que eles poderiam ter".
Então tirou da maleta uma seringa e a preparou. Quando já ia aplicá-la na criança, escutou uma voz que dizia: "Quem é você para decidir o destino desta criança? Com que direito você quer tirar uma vida?”
Apavorado, largou a seringa, receitou alguns remédios e foi embora.
Passaram-se alguns anos. Num certo dia sua filha foi com o esposo a uma festa. Ao retornarem, começou a chover. O carro derrapou e bateu, matando a ambos. O médico passou então a cuidar da neta, a única pessoa da família que lhe restara.
Quando esta tinha 3 anos, adoeceu de uma enfermidade sem cura. Aí começou uma verdadeira correria para ver se a salvava. Procurava com vários colegas de todas as partes do mundo uma solução para o problema da neta e não conseguia a cura. Até que um dia, conversando com um colega, este lhe disse que tinha ouvido falar de um médico de uma cidadezinha do interior que estava fazendo experiências muito avançadas sobre a tal doença.
Imediatamente pôs-se a caminho para conhecê-lo. Chegando à tal cidadezinha, o colega explicou-lhe que as experiências ainda eram iniciantes, sem garantia de cura. O Dr. Jaime Smith resolveu arriscar assim mesmo e começou o tratamento, o qual, felizmente, foi coroado de êxito. Ao final, agradeceu o colega: "Sinceramente, não sei como pagar por tudo o que você fez pela minha neta". O médico simples do interior então lhe diz: "Lembra de um parto difícil que o Sr. fez numa cidade muito pobre, numa mulher de idade, cujo bebê nascera com um pé para trás? Pois é, Dr., sou eu aquele bebê. Foi o Sr. que me trouxe ao mundo. Por isso é que tenho o nome de Smith. É em sua homenagem. Por isso não precisa me agradecer de nada.
enviada por ManBlac

A LOJA DE CD´S



Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura. Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe. Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam. Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da sua idade, queparecia ser feita de ternura e beleza.
Foi amor à primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada. Aproximando-setimidamente, chegou ao balcão onde ela estava. Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD.
Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era e disse:
-Esse aquí...
-Quer que embrulhe para presente? - perguntou a garota, sorrindo ainda mais...
Ele balançou a cabeça para dizer que sim e disse:
-É para mim mesmo mas eu gostaria que você embrulhasse. Ela saiu do balcão e voltou, pouco depois, com o CD muito bem embalado. Ele pegou o pacote e saiu, louco de vontade de ficar por alí, admirando aquela figura divina.
Daquele dia em diante, todos as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer. Todas as vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava no closet, sem sequer abrir.
Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim, por mais que ela sempre o recebesse com umsorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar. Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito, a chamá-la para sair. Um dia, ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias comprou outro CD e, como sempre, ela foi embrulhá-lo. Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.
No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a soluçar e disse:
-Então, você não sabe? Faleceu essa manhã.
Mais tarde, a mãe entrou no quarto do filho, para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com a quantidade de CDs, todos embrulhados. Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito:
Você é muito simpático, não quer me convidar para sair? Eu adoraria.
Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abriutraziam uma mensagem de carinho e a esperança de conhecer aquele rapaz.
Assim é a vida: não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente.Diga-o já; amanhã pode ser muito tarde.
Aproveite e fale, escreva, telefone e diga o que ainda não foi dito.Não deixe para amanhã. Quem sabe não dê mais tempo..
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

EU CREIO SIM NO AMOR


EU CREIO SIM NO AMOR
(Resposta a uma amiga)® Adelmario Sampaio © 2005Acredito em tudo que você diz... Vi a verdade nos olhos da tua alma...Eu também como você, não queria viver o que vivo, mas não abro mão de ser quem sou... Vivo porque sou... Gosto mesmo disso, embora eu mesmo não entenda o mistério do que vivo, e por isso o meu desafio é desvendá-lo... Gostaria que o fizesse logo, pra que pudesse mostrar a quem olha com os olhos do amor, a exatidão de ser quem eu sou... Desculpe, mas não acredito no que dizem de mim... E ofendo-me com isso porque em essência sou desconhecido até da minha própria mãe. E nem eu mesmo posso falar do material do qual sou tecido, nem da posição que ocupo navegando nesse mar de mistérios... Sou uma bruma que desaparece com o calor das palavras mais entusiastas ao meu respeito. Desvaneço quando me apontam o dedo... Desapareço quando focam os fachos fracos do julgamento das lanternas dos seus entendimentos sobre mim... Pois não sou visto à luz das velas que mesmo opacas lhes ofuscam as visões... Porque mesmo que eu não me defina a mim mesmo sei que estou muito além do parco entendimento deles...Acredito no milagre sim... E é nele que espero todos os dias, e é simplesmente por isso que vivo. Agora entendo bem o que é que espero, e também sei de quem espero. Esperei por todos esses anos, e esperarei ainda mais um dia... Dois talvez... Mil... Milhares... Ou mais... Sou desses que crêem que estes milagres acontecem na eternidade... Não do jeito que os homens esperam, mas do jeito que devem ser... Acredito sim no amor... Não naqueles anunciados pelas bocas, mas nesses que as almas derramam e cultivam em vasos de um ouro não conhecido pelos olhos de quem pensa ver, mas só pensa... Já vi os dedos do amor num dia que tive uma visão do arremate da minha existência...Acredito (e não) na brincadeira... Não brinco de viver... Nem ainda com os sentimentos colocados num pedestal sagrado... Não brinco com a vida que é mais sagrada que todos os deuses de todos os cultos encenados por todos os profetas em todos os templos de todos os tempos... Mas acredito nessa luz que brilha muito acima dos olhos de quem tenta desvendar esse eterno mistério que não pode ser desvendado... É aí que entra o que creio. É assim que explico o inexplicável...Não acredito no engano... E quando não acredito é que sou enganado... E desacredito, e a Sabedoria invade meu coração, e tenho nesse instante, vontade de mais ainda me esconder, porque sei que todos o que pensam que me conhecem dão as suas opiniões fortemente fundamentadas em tudo o que já ouviram ser um homem...Mas eu não sou desses homens... Não acredito neles... Desculpe dizer, mas sou único. Diferente... Só.(Presente da Áurea Manchini)