sábado, 21 de junho de 2008

FAZER AMOR.

Fazer Amor...Hum...
Fazer amor é pisar na eternidade...
Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo e outro corpo
Misturados num desejo insosso
Desses que dão feito fome trivial
Nascida da gula descuidada
Aplacada sem zelo
Sem composturas, sem respeito
Atendendo exclusivamente a voracidade do apetite.

Fazer amor é percorrer as trilhas da alma
Uma alma tateando outra alma
Desvendando véus
Descobrindo profundezas
Penetrando nos escondidos
Sem pressa ...
Com delicadeza.
Porque alma
Tem textura de cristal
Deve ser tocada nas levezas
Apalpada com amaciamentos
Até que o corpo descubra
Cada uma das suas funções.
Quando a descoberta acontece
É que o ato de amor começa.
As mãos deslizam sobre as curvas
Como se tocando nuvens
A boca vai acordando e retirando gostos
Provando os sabores
Bebendo a seiva que jorra
Das nascentes escorrendo em dons.
É o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.

Fazer amor é Ressurreição!
É nascer de novo!
No abraço que aperta sem sufocamentos
No beijo que cala a sede gritante
Na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo.
Vale chorar
Vale gemer
Vale gritar
Porque aí já se chegou ao paraíso
E qualquer som há de sair melódico e afinado
Seja grave, agudo, pianinho.
Há de ser sempre
O acorde faltante

Quando amantes
Iniciam o milagre do encontro.
Corpos se ajustaram
Almas matizaram.
Fez-se o Êxtase!
É o instante da Paz
É a escritura da serenidade
E os amantes em assunção pisam eternidades!
Autor - Desconhecido.

ABSTRAÇÕES

© Sylvia Cohin

há momentos que nem sei dizer
de quanto estou entre lá e cá,
do que se perdeu dentro de mim...

há momentos que nem sei se me enganei,
pensando que era mais além, acolá,
ou se nada havia em nenhum lugar...

há momentos que me confundo,
e envolta numa trilha nevoenta,
invento um mundo que nunca existiu
além de mim...

olhando a esmo sem nada entender,
acabo crendo que é só projeção
etérea e irreal...
o mais provável: tudo verdade, e eu,
uma invenção...

Sylvia Cohin
Porto, 17 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

ALTO PREÇO


Paguei um preço alto pelo amor que não tive.
Deixei no caminho minha esperança,
minha confiança, meu acreditar irrestrito.
Paguei o preço de amar sozinha.
Descobri que o tempo
não necessariamente cura,
nem ao menos ameniza,
mas esgota as possibilidades, cansa.
Paguei o preço em lágrimas,
em noites insones, em solidão
Fui tão fundo na minha dor
que tive medo de não encontrar
o caminho de volta.
Misturei loucura com razão
na tentativa de agarrar as lembranças.
Paguei o preço dos fracos
mesmo sendo forte.
Recusei a vida e as oportunidades,
até que não me restasse nada.
Paguei caro por ter oferecido amor
a quem sempre desejou tão pouco.
Cai e levantei inúmeras vezes,
fui adiante e voltei atrás depois.
Cedi meu espaço, cedi meus sonhos.
Até que percebi que nem isso
valeu como moeda de troca.
Recebi somente raiva, desprezo
e finalmente uma grande,
total, imensa indiferença.
Agora, estou tirando da minha vida
o pouco que resta da tua presença
Se por isso vou ter que pagar o preço
Nem me importa mais.
TUDO que quero é esquecer
que um dia o TUDO que eu quis
foi caminhar de mãos dadas com você
em busca dessa tal felicidade...
By Inez Sodré - 21/05/2008

IRRETOCÁVEL


© Silvana Duboc

Tenho cabelos vermelhos, pintados,
para esconder os fios brancos.

Não me lembro exatamente em que
ano eles começaram a branquear...

Tenho algumas rugas em volta dos olhos,
também não me recordo quando
elas começaram a aparecer.

Tento disfarçá-las, tantas novidades
no campo da dermatologia,
achei por bem aproveitá-las.

Do corpo não cuido quase,
só recentemente entrei para uma
academia por ordem médica.

Ele me disse que na minha
idade preciso de exercícios.
Mais falto mais do que vou,
não gosto de fazer ginástica.

Das minhas unhas cuido semanalmente,
penso que elas são uma porta de visita.
Unhas maltratadas causam
uma péssima impressão.

De uns dois anos pra cá descobri os
cremes e aí compro um aqui,
outro ali e no final não uso nenhum,
mas compro, só de olhá-los na prateleira
já percebo que as rugas se retraem.

Sou assim, vaidosa,
mas não sou em excesso,
penso que sou na medida certa,
na medida correta para uma mulher.

Enfim os anos passam e as
marcas que eles deixam em nós,
não temos como conter.
Nem pretendo isso.

Acho que cada marca que meu corpo
carrega tem uma linda história.

Às vezes me pego na frente do espelho
descobrindo uma nova ruguinha
e já me coloco a pensar o que a causou.

Depois reencontro com outra que já está lá
vincada há anos e me recordo que ela
apareceu quando perdi um grande amor.

Poderia enumerar também a história
de cada fio de cabelo branco.
Foram filhos, maridos,
amigos que colocaram eles ali.
Não quero me desfazer
de nenhuma dessas marcas,
apenas amenizá-las,
acho que mereço isso.
A vida me deve isso.

Atualmente a parte que merece mais
atenção minha tem sido a cabeça.
Tento todos os dias colocá-la no lugar,
equilibrá-la, alimentá-la
com sonhos e alegrias.
Corpo e mente caminham juntos,
se um estiver em estado lastimável o
outro provavelmente vai se deteriorar.

Não escondo minha idade,
não adiantaria falar
que tenho trinta e cinco
e apresentar uma
filha de vinte e sete.
Portanto eu confesso,
tenho quarenta e oito anos.
Metade deles, bem vividos,
a outra metade muito sofridos.

Mas é exatamente aí que está
o encanto da minha idade.
Conheci de tudo um pouco,
das lágrimas aos sorrisos e ambos me
fizeram ser essa pessoa que sou hoje.

Ficaram as rugas no rosto e na alma,
mas também ficaram sorrisos em ambos.

Minhas rugas mais bonitas são aquelas
marcas de expressão que eu
adquiri por tanto sorrir,
muitas vezes,
quando o coração chorava.
03/07/2003

A MULHER DA MINHA VIDA



Mais uma noite insone e finalmente, diante dos meus olhos uma verdade que eu me recusava a ver.
Eu queria ser a mulher da tua vida, não consegui. Descubro, então, que eu preciso voltar a ser a mulher da minha vida.

Preciso abandonar velhas convicções, velhas certezas, velhos desejos e voltar pra mim. Restaurar esse meu coração que é o patrimônio histórico da minha humanidade. Preciso olhar pra dentro, ver o que restou, cuidar do que sobrou e reviver.
Preciso voltar para os meus braços, sentir novamente a segurança de ser acarinhada por mim, pensar em mim, amar a mim.

E para fazer isso, preciso abandonar você. Largar de mão a tua vida. Porque tantas vezes eu voltei para a tua vida e você nem soube. Fui tua, inúmeras vezes dentro da minha solidão. Estive te olhando, estive esperando, estive vivendo a tua vida. Está realmente na hora de abandonar você. Não por nada que você tenha feito, mas por mim. Para voltar a ser a mulher da minha vida.

Preciso ganhar uma lufada de vento no rosto, preciso enfiar areia no meio dos dedos dos pés, preciso sentir a água gelada do mar escorrer pelo meu corpo e saber que não morri, que sobrevivi depois do mergulho profundo desse afogamento de amor.
Preciso catar os cacos dessa dor estilhaçada, preciso catar os restos dessa tentativa frustrada, preciso aspirar as lágrimas empoeiradas pelo tempo e enterrar no fundo das minhas lembranças. Voltar a tona eu preciso.

E feito isso, preciso tomar posse da minha vida novamente. Preciso tirar de você o que te dei sem você querer. Preciso ser de novo dona de mim.
Porque se tenho defeitos ou qualidades não importa, o que importa é que tenho a certeza que sou hoje, a melhor opção para mim. Que sou o que eu mereço, que vivi intensamente tudo que desejei e isso fez de mim essa mulher que eu preciso, que me agrada, me seduz, me convence.
Hoje retomo as minhas rédeas para ser pra sempre; A MULHER DA MINHA PRÓPRIA VIDA.

By Inez Sodré - 03/12/2007

sábado, 14 de junho de 2008

QUANDO AMAMOS UM POETA


Amar um poeta nem sempre é fácil,
devemos saber separar o que é nosso
do que é para nós...
Devemos lembrar que seu coração é dividido,
entre o amor por nós e o seu sonho de amor.
Devemos aceitar seu olhar para a lua,
seus desejos pelo impossível,
suas lembranças de algo que nunca viveu...
Para amar um poeta,
é preciso que estejamos atentos
aos seus devaneios e às suas viagens imaginárias...
O poeta sente dor que não dói,
ama o que não conhece,
sente saudade do que nunca teve,
inventa sentimentos,
comete loucuras!
Se quer amar um poeta,
seja poeta também,
entre no seu mundo; ajude-o criar ilusões!
Se deseja entender um poeta,
esqueça do real,
viva na eternidade dos sonhos dele...

© Vilma Galvão

POEMA PARA A MULHER QUE PASSOU

Quando ela passou por mim, indiferente e distraída,
surpreendi-me a pensar, sem querer,
de repente em minha vida...

Fiquei a imaginar que se lhe acompanhasse os passos,
num lindo dia como o de hoje,
cheio de sugestões para os nossos desejos,
- talvez ela acabasse por me olhar, sorrindo,
e mais tarde talvez me desse as suas mãos,
e algum dia ficasse abrigada em meus braços
e quisesse os meus beijos...

Se eu a seguisse, ela que nunca me viu,
e passou distraída como se eu nem a visse,
se eu a seguisse pela rua em meio a tanta gente,
- talvez se transformasse toda a minha vida,
e ao encontro da sua,
minha estrada tomasse um rumo diferente...

No entanto ela se foi...
E enquanto eu me deixava a pensar,
quem sabe se não levou a metade dessa alma
que seria talvez a única metade
capaz de me completar?

Naquele segundo, - pressentimento estranho,
intuição fugaz, - quis correr, ir buscá-la...

Corri! ...
Fui procurá-la e era tarde demais...

Acaso já pensaste, na grandeza trágica
desse segundo irremediavelmente perdido?

Quem há de nos dizer se ele encerrava um mundo,
esse mundo por nós sonhado há tanto tempo
e há tanto tempo esperado e querido?

Quem há de nos dizer algum dia,
se ele era a única oportunidade,
que o Destino avarento e impiedoso
nos dera para a felicidade?

Ninguém! ... E ele passou!...
Pensa um momento na grandeza desse segundo atroz,
e terás a intuição dolorosa, a certeza
de que é precisamente num segundo desses
que a felicidade passa por nós!
Queres correr, é em vão!

Hoje estou certo
que nessa angústia eterna ficarás talvez,
- porque a felicidade que passou tão perto
da tua mão, só passa uma vez!

(J. G. de Araújo Jorge)