quarta-feira, 12 de março de 2008

O DRAMA DE TODAS AS MULHERES


Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: "olha, não dá mais".
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?

Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: "mas agora eu to comendo um lanche com amigos".

Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita,mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?

Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta.

E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.

Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve.

Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros,terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.

Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.

Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu.

Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.

Ele quem mesmo?

**Martha Medeiros

(Presente de Clao Dal Pra)


terça-feira, 11 de março de 2008

A MASSACRANTE FELICIDADE DOS OUTROS


Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito claras.
Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?
Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: 'Eu espero/ acontecimentos/só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento'.

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer, descobrimos que estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados pra consumo externo.
'Todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, social e filosoficamente corretos. Parece que ninguém, nenhum deles, nunca levou porrada. Parece que todos têm sido campeões em tudo'.

Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem.

Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores?
Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Será bom só sair de casa com alguém todo tempo na sua cola a título de segurança?
Estarão mesmo todas essas pessoas realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está em casa, lendo, desenhando, ouvindo música, vendo seu time jogar, escrevendo, tomando seu uisquinho?

Tenha certeza que as melhores festas acontecem sempre dentro do nosso próprio apartamento.

© Martha Medeiros, gaúcha, 44 anos, Jornalista e Poeta

DIVAGANDO


Eu não estava nos planos dela, Ela também não estava nos meus, mas enfim... aconteceu!"
Uma história intrigante, provavelmente muitos já viveram esse instante... mas eu vou tentar contar...

Foi via internet... que cofre de surpresas, que local estranho que nos faz colocar todos os segredos sobre a mesa...
E a gente pensa, acha, tem certeza, que foi aquela pessoa em especial que conseguiu a chave dos nossos mistérios, que atravessou sem esforços nosso rio de dúvidas, que invadiu nosso calabouço de conflitos e os desfez de uma só vez.

Tantos enganos... somos todos iguais, não existe essa quantidade de pessoas especiais. Mas toda hora, todo dia, alguém em frente a um computador encontra o seu grande amor. E então me pergunto, por que na vida real isso não acontece igual?
Mas pensando bem, descobri que por detrás de tudo isso existe uma simples explicação: No dia a dia, as pessoas não se confiam, não se procuram, não se aceitam e não suportam os defeitos. Via internet tudo ficou mais fácil, eu lhe conto meus problemas e você quer ouví-los; Eu lhe peço soluções e você se apressa em dá-las;

Se eu preciso de um carinho, você jamais me abandona sozinho;
Se suplico por um afago, você inevitavelmente se coloca do meu lado;
Se eu estou em desatino, você nunca me atropela, sempre tenta me acalmar e se põe eternamente a me esperar.
No virtual tudo é tão fácil, rápido e sem problemas, aqui não existem fronteiras, nada que se diga é visto como besteira.

Mulheres não tem dores de cabeça;

Homens não chegam do trabalho cansados;

Mulheres sempre são parceiras;

Homens estão sempre animados;

Defeitos não se encontram em nenhum dos dois;

Todos somos feitos de sonhos, é, sonhos, aquela coisinha insignificante que atualmente anda tão distante , que se julgava não existir mais no ser humano.
Engano! Nós, embora muitas vezes negando, ainda vivemos por aí divagando.
A idade não importa, adolescentes se fazem adultos, idosos se transformam em crianças, jovens fazem brotar aquele sentimento do qual são os maiores donos, o amor.
A sedução que até então estava tão dilacerada na vida real, aqui no virtual tomou um novo rumo.

Voltou-se finalmente a seduzir com palavras, com doces "cantadas", fomos enfim obrigados a criar frases bem elaboradas e saber colocá-las na hora certa, no momento exato, caso contrário tudo acaba em fracasso.
No virtual, a arma de todos é igual. Não importa se você é bonita ou se é esquisita, não faz mal se ele é genioso e teimoso.
Atrás de um computador, some qualquer dor, os problemas insolúveis da vida real nem precisam ser contados, podem ser escondidos e descartados.
Ela nem precisa saber que você é casado, assim como você também não irá descobrir que ela já passou dos quarenta e no entanto inventa que acabou de fazer vinte e seis, o que é perfeito pra vocês.
Aí acontece de alguém querer uma foto do outro, escolhe-se os melhores ângulos para tirá-la ou pode até ser uma foto do passado, daquelas que estão no armário trancado.
Mas será que ao fim de tudo somos mesmo aquilo que passamos? Ou será que só lidamos com um amontoado de sonhos?

Será que temos aquele rosto? Ainda é aquele mesmo cabelo? O corpo ainda tem o mesmo relevo e o mesmo cheiro?
Será que aquela simpatia toda é verdadeira ou obra do virtual? Será que o mundo que expusemos é real?
Criam-se personagens a todo instante... gente séria, gente alegre, gente competente, inteligente, gente amiga e influente. Gente dominadora, gente meiga, e gente traiçoeira.

Mas com tudo isso o amor vai acontecendo desnorteado dentro dos corações, se iludindo com meras palavras, atravessando difíceis estradas.
E então chegam os entendidos em internet, aqueles que jamais colocaram seus dedinhos a teclar e começam a nos julgar: Internet? Só tem gente carente, gente inconseqüente...
Humm, e quem disse que os carentes só vivem por aqui? Eles estão em toda parte, foi uma raça que se alastrou, dominou o mundo.

Somos todos, unidos ou perdidos, muitos ou poucos, invisíveis ou aparentes... mas carentes.... Carentes de amor, de amizades, de mão amiga, de olhar afetuoso, de um sorriso gostoso, de um bom dia com alegria.
No virtual ou no real, tudo se faz igual, a única diferença é que aqui... temos tempo... tempo pra descobrir as pessoas, tempo pra enganá-las, tempo pra seduzi-las e depois deixá-las, tempo até pra perdoá-las.
Aqui temos tempo pra sofrer, chorar e nos arrepender, enquanto que no real a nossa rotina é sempre igual, dominou nosso coração e nos jogou na solidão, nos impedindo de ter tempo para um bom tempo, nos jogando de frente com os problemas e não dando tempo pra ninguém nos ouvir.

No real não temos nem mais tempo pra nos iludir... e a ilusão embora nos traga muita decepção é necessária, é pertinente e acaba por ser solidária à nossa solidão e à nossa emoção.
Então... vamos sonhar... se ele ou ela não aparecer, também não vamos sofrer, apenas continuemos a viver, unidos ou separados, no virtual ou no real, mergulhados nas emoções, envoltos nas ilusões... e que a internet consiga trazer soluções, e quem sabe resolver as minhas, as suas, as nossas ... questões!!!

Ih, me desculpem, me perdi no devaneio e sai do meu roteiro. Afinal vim aqui pra contar de um certo amor não foi? Um amor que começou via internet....
Bem, fica pra uma outra vez, só posso adiantar mesmo o que disse no início, que ambos não estavam um nos planos do outro... e ainda assim foi incrível, indescritível... mas acabaram por se afastar, uma pena... um desperdício... de corações... de sensações... de amores ... e de ilusões....

(mas olha, ele ainda sonha com ela, e ela ainda pensa nele)

by: Silvana Duboc

TAKE MY HEART BACK(Ter meu coração de voltaTudo ficará bem Você disse Amanhã Não chore Não derrame uma lágrima Quando acordar Ainda estarei aqu)


Tudo ficará bem
Você disse
Amanhã
Não chore
Não derrame uma lágrima
Quando acordar
Ainda estarei aqui
Quando acordar
Combateremos seus medos
E agora irei...

Pegar meu coração de volta
Deixar suas fotos no chão
Roubar de novo minhas memórias
Não posso suportar
Sequei minhas lágrimas
E agora encaro os anos
Do jeito que você me amou
Dissipou todas as lágrimas

Apenas um pouco mais de tempo foi o que precisamos
Apenas um pouco de tempo para que eu visse
A luz que a vida pode dar
Como voce pode ser livre
Então agora irei

Pegar de volta meu coração
Deixo suas fotos no chão
Roubo o passado da lembrança
Não posso suportar
Sequei minhas lágrimas
E agora encaro os anos
Do jeito que você me amou
Dissipou todas as lágrimas

La la la la la
La la la la la
La la la la la la la la la

Oooohooo oooooooh

segunda-feira, 10 de março de 2008

PEIXES (19/02/20/03)



1. Frase: 'Ontem tinha DÚVIDAS, hoje... NÃO SEI!'
2. O que o pisciano espera de seu parceiro:
Busca um protetor amoroso, uma alma irmã, uma pessoa espiritualizada, que saiba aceitar seu humor sempre mutável e sua necessidade de solidão e de privacidade. Ah! E que goste de bichos!
3. O que o pisciano diz depois do sexo: ‘Como é mesmo o seu nome?'
4. Como irritar um pisciano:
Diga para agarrarem-se a si mesmos e esquecerem dos outros. Marque encontro com eles em locais brilhantes, barulhentos, superpovoados, como o metrô da Sé. Deixe-os falando sem parar e no fim diga que não entendeu nada.


5. Como o pisciano reza antes de dormir:
'Pai Celestial, enquanto eu me preparo para consumir este último quinto de scotch para esquecer minha dor e meu sofrimento, possa minha embriaguez servir para aumentar sua Honra e sua Glória.'
6. Por que o pisciano atravessou a rua?
Que rua? Ih, é...
7. Você foi assaltado e o pisciano ...
'Toma esse amuleto, guarda com você... protege contra assaltos...'
8. Adesivo para o vidro do carro do pisciano:
'Não me siga. Também não me lembro pra onde eu estava indo.'
9. Quantos piscianos são necessários para trocar uma lâmpada?
O quê? A luz está apagada?

domingo, 9 de março de 2008

CAIXA DE ILUSÕES



Melliss
Da varanda, vejo o sol caindo no poente, mergulhando no oceano de nuvens avermelhadas que colorem o final dessa tarde ...
Observo as sombras aninharem-se no galho das árvores,
percebo a noite que chega mansamente nas fachadas, nas janelas, nas vidraças ...
Crianças voltam da escola em bandos barulhentos, cheios de graça pueril, pessoas voltam apressadas para casa, pois as horas parecem cobrar o regresso,oferecendo o aconchego da volta, o reencontro, o abraço, a paz de quem retorna à sua pátria ...
Olho ao meu redor, e não encontro nada, senão silêncio e vazio, ecos, lembranças, memórias remendadas de sorrisos ...
Vasculho em meu peito as secretas gavetas de lembranças, e delas retiro uma caixa de ilusões inesquecíveis, bordada com fios de saudade e lágrimas pequeninas ...
Ali encontro nossa primeira estrela, nosso primeiro beijo, a luz do teu olhar castanho, teu sorriso de pérolas perfeitas, teu perfume verde e inebriante, nossas promessas de amor que jamais aconteceram ...
Uma fita sedosa de luar dança no céu, anunciando a procissão de brilhos que pertencem a outros corações nesse momento ...
Fecho minha caixa de ilusões e acendo as luzes da varanda.
A realidade diz que o teu amor passou por mim esteve em mim mas não ficou aqui.

MULHER MODERNA


São 7h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.
Estou TÃO acabada, não queria ter que trabalhar hoje.
Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até.
Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.
Aquário?
Olhando os peixinhos nadarem.
Espaço?
Fazendo alongamento.
Leite condensado?
Brigadeiro.
Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar.
Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela.
Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.
Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço".
Que espaço, minha filha?
Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés.
Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer?
Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz.
Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim.
E nos lançando no calabouço da solteirice aguda.
Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard e, se duvidar, nem vôlei.
Por quê, me digam por quê um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo?
Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso.
Tava na cara que isso não ia dar certo.
Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com o meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas.
Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações.
Viramos super mulheres, continuamos a ganhar menos do que eles.
Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?
Chega, eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela - ai, meu Deus, 7h30, tenho que levantar!, e tem mais, que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés pra cima e diga "meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?", descobri que nasci pra servir.
Cês pensam que eu tô ironizando?
Tô falando sério!
Estou abdicando do meu posto de mulher moderna...
Troco pelo de Amélia.
Alguém se habilita?

Escrito em 19/06/2003 por Ana Kessler